36 anos do SUS: o que mudou na saúde dos brasileiros e o que ainda precisa melhorar?

A Revolução do SUS na Saúde Brasileira

O Sistema Único de Saúde (SUS) completou 36 anos em setembro deste ano e é considerado uma revolução na saúde pública do Brasil. Anteriormente, o atendimento médico estava atrelado à Previdência Social, limitando o acesso à assistência àqueles que eram contribuidores. Com a criação do SUS, a saúde passou a ser um direito garantido a todos os cidadãos, independentemente de sua condição trabalhista. Assim, foram estabelecidas diretrizes que promovem a universalidade, a integralidade e a equidade nos serviços de saúde.

Desde a sua implementação, o SUS tem mostrado avanços significativos. A mortalidade infantil no Brasil, por exemplo, caiu em cerca de 74% desde 1990. Além disso, a vacinação se tornou parte da rotina de milhões de brasileiros, permitindo o controle de várias doenças. Especialistas afirmam que, embora tenha cumprido muitos dos objetivos iniciais, ainda existem desafios a serem enfrentados dentro do sistema.

Resultados e Avanços do Sistema

Entre os muitos progressos do SUS, destaca-se o Programa Nacional de Imunizações (PNI), que facilita o acesso a vacinas gratuitas e ajudou a erradicar e controlar doenças como a poliomielite e o tétano. O Brasil também se tornou um dos líderes mundiais em transplantes, com mais de 90% dos procedimentos realizados pelo SUS em 2025. Além disso, a distribuição de medicamentos para o tratamento do HIV desde 1996, assim como o fornecimento de remédios para doenças crônicas através da Farmácia Popular, são outros marcos importantes.

SUS

A vigilância sanitária e epidemiológica também se expandiu, permitindo um monitoramento eficaz de surtos e fortalecimento na resposta a emergências de saúde pública. No entanto, especialistas apontam que esses avanços não são suficientes para resolver os problemas estruturais que ainda afetam o SUS.

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Desigualdade e Acesso aos Serviços de Saúde

Um dos principais desafios do SUS é a desigualdade no acesso aos serviços de saúde. Apesar das conquistas, o acesso ainda é desigual, afetando principalmente as regiões mais remotas e menos favorecidas do país. Estima-se que cerca de 30% da população ainda não tem cobertura adequada da Atenção Primária à Saúde, o que significa que há lacunas significativas no atendimento. Profissionais de saúde são insuficientes em diversas áreas, o que perpetua as dificuldades no acesso ao sistema.

Filas e Infraestrutura do SUS

A fila para consultas e procedimentos é uma das maiores queixas dos usuários do SUS. Embora iniciativas como o programa “Agora Tem Especialistas” tenham sido criadas para aumentar a disponibilidade de atendimentos, a falta de uma fila nacional pública e a desarticulação entre sistemas municipais e estaduais dificultam a resolução desse problema. A concentração de médicos em algumas áreas também contribui para as longas esperas pelos atendimentos especializados.

A infraestrutura das unidades de saúde também carece de melhorias. Especialistas sugerem que as unidades básicas deveriam ser equipadas de forma a resolver mais problemas diretamente, evitando encaminhamentos desnecessários e criando um atendimento mais ágil e eficaz.

Financiamento e Sustentabilidade do SUS

A questão do financiamento é crucial para a operação do SUS. O sistema é considerado subfinanciado em comparação a outros modelos, como o NHS do Reino Unido. A discrepância no investimento per capita é notável: enquanto o NHS investe aproximadamente R$ 18,7 mil por habitante, o SUS destina cerca de R$ 1,3 mil, o que representa uma diferença significativa. Essa situação é agravada pela participação apenas de 45% do setor público no financiamento da saúde, enquanto em outros países esse número é normalmente superior a 75%.

A destinação de recursos através de emendas parlamentares também é uma preocupação, pois nem sempre os valores são alocados conforme as prioridades da saúde pública, podendo ser utilizados de maneira inadequada. Especialistas recomendam a criação de um planejamento mais estruturado para a destinação desses recursos, visando assegurar que cheguem onde são mais necessários.