A preocupação com os impactos do jogo e das apostas na sociedade tem crescido nos últimos anos. Recentemente, um estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (LEPS) trouxe à tona uma previsão alarmante: os atendimentos para pessoas com diagnóstico de transtorno do jogo na Rede de Atenção Psicossocial (Raps) podem dobrar até 2028, passando de 10.553 para 21.949 atendimentos. Essa projeção, apoiada por dados do Ministério da Saúde, revela a necessidade urgente de medidas eficazes para lidar com as consequências do aumento das apostas eletrônicas.
O fenômeno das apostas, especialmente na forma digital, tem gerado um debate acalorado entre legisladores, profissionais de saúde e a sociedade em geral. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem se mostrado crítico em relação a esse fenômeno, relacionando a expansão das apostas ao crescente endividamento das famílias brasileiras. Em eventos públicos, o presidente comentou sobre casos de apostadores que, em virtude das apostas, enfrentam sérias dificuldades financeiras, enfatizando a urgência em conter essa prática.
A Realidade dos Atendimentos na Raps
Os dados do estudo do LEPS não são apenas números; eles refletem uma realidade que pode se agravar nos próximos anos. A previsão de um aumento significativo nos atendimentos para transtorno do jogo demonstra a preocupação com a saúde mental da população e a capacidade de uma rede de saúde já fragilizada em absorver essa demanda. É importante entender que esses atendimentos não se restringem apenas aos casos evidentes de transtornos, mas também incluem aqueles que buscam auxílio para sintomas relacionados.
A subnotificação desses casos é uma questão relevante. Muitas pessoas podem não buscar ajuda por vergonha, estigma ou falta de conhecimento acerca de seus problemas. Essa subnotificação, aliás, é um reflexo da falta de informação e da necessidade urgente de campanhas educativas que possam conscientizar a população sobre a importância de procurar ajuda.
O Papel do Estado e das Políticas Públicas
O aumento do número de atendimentos demandará não apenas a ampliação da oferta de serviços, mas também uma resposta institucional adequada. O estudo conclui que o Estado deve agir de forma colaborativa e integrada, promovendo ações que vão além do simples aumento no número de CAPS (Centros de Atenção Psicossocial). De 2024 a 2025, foram habilitados 177 novos CAPS, elevando o total para 3.061 unidades em funcionamento, mas isso pode não ser suficiente diante do aumento da demanda.
A Lei 13.756, de 2018, determina que 1% da arrecadação das apostas deve ser direcionado ao Ministério da Saúde. Esses recursos são cruciais para o desenvolvimento de campanhas de conscientização e para a capacitação das equipes do Sistema Único de Saúde (SUS). A criação de instrumentos como o autoteste de saúde mental poderá ajudar a identificar o problema mais cedo, o que é essencial considerando o impacto prolongado das apostas na saúde mental.
A conscientização sobre os riscos associados ao jogo deve permeiar tanto a esfera pública quanto a privada, envolvendo familiares e a sociedade em geral. É fundamental que se crie um ambiente onde as pessoas se sintam confortáveis para abordar o tema, buscar apoio e, se necessário, direcionar-se aos serviços de saúde mental.
Aumento no Investimento em Saúde Mental
Com a crescente preocupação relacionada ao jogo, o investimento em saúde mental se torna ainda mais relevante. Até agosto de 2025, cerca de R$ 32,97 milhões foram transferidos ao Ministério da Saúde a partir das arrecadações de apostas. Esse valor, embora significativo, precisa ser acompanhado por uma análise criteriosa sobre como esses recursos estão sendo utilizados, de forma a garantir que eles sejam aplicados onde realmente são necessários.
Os impactos das apostas na saúde mental não ocorrem apenas no indivíduo que aposta, mas reverberam em suas relações pessoais, familiares e sociais. A promoção de um ambiente saudável e de suporte é essencial para minimizar esses efeitos e fornecer as ferramentas necessárias para que os indivíduos lidem com essas questões.
Atendimentos ligados a bets podem dobrar até 2028, diz estudo
Os atendimentos relacionados a transtornos do jogo não são um problema isolado, mas sim uma questão de saúde pública que exige a atenção de todos. O aumento previsto, com dobragem dos atendimentos de 10.553 para 21.949, sublinha a necessidade de um sistema de saúde que não apenas reaja a esses desafios, mas que também atue de forma proativa. Medidas como educação sobre os riscos associados às apostas e disponibilidade de serviços de saúde mental são fundamentais nesse processo.
Perguntas Frequentes
1. O que é o transtorno do jogo?
O transtorno do jogo, também conhecido como ludopatia, é uma condição de saúde mental caracterizada pela incapacidade de controlar o impulso de jogar, mesmo sabendo das consequências negativas que isso pode trazer à vida pessoal e financeira.
2. Quais são os sinais de que alguém pode ter um transtorno do jogo?
Os sinais incluem a necessidade de apostar montantes cada vez maiores, a obsessão por jogos e apostas, a perda de controle sobre a frequência das apostas e a continuidade das apostas apesar de problemas financeiros e sociais.
3. Como posso buscar ajuda se eu ou alguém que conheço está enfrentando problemas com apostas?
Existem diversos serviços de saúde mental e organizações que oferecem suporte a pessoas com transtornos de jogos. É importante procurar um profissional qualificado ou entidades de saúde para avaliação e orientação.
4. Qual é o papel do governo na prevenção e tratamento de transtornos relacionados a apostas?
O governo, por meio de políticas públicas, deve promover campanhas de conscientização, aumentar a capacidade de atendimento e garantir financiamento apropriado para serviços de saúde mental.
5. O que a Lei 13.756 estabelece sobre o financiamento das ações de saúde mental relacionadas ao jogo?
Essa lei determina que 1% da arrecadação das apostas deve ser destinado ao Ministério da Saúde, com o objetivo de implementar ações de prevenção e controle dos danos causados pelo jogo.
6. Como o aumento das apostas afeta a sociedade como um todo?
O aumento das apostas pode resultar em um aumento de casos de endividamento, problemas familiares e sociais, exigindo assim um sistema de saúde mais robusto e integrado para atender a essa demanda crescente.
Considerações Finais
A previsão de que os atendimentos relacionados a bets podem dobrar até 2028, segundo estudo, revela a importância de abordagens coordenadas e integradas entre o setor público e a sociedade civil. Medidas eficazes devem ser implementadas para prevenir e tratar os transtornos do jogo, levando em consideração não apenas a necessidade de tratamentos adequados, mas também a promoção de uma cultura de conscientização e apoio às pessoas afetadas.
O jogo e as apostas podem trazer riscos significativos, mas com as informações corretas, apoio adequado e uma rede de saúde comprometida, é possível mitigar esses danos e promover uma saúde mental mais forte e resiliente na sociedade.

Profissional com passagens por Designer Gráfico e gestões e atuação nas editorias de economia social em sites, jornais e rádios. Aqui no site ConecteSUS.org cuido sobre assuntos relacionados ao Sistema Único de Saúde.

