Necessidade de aumento do financiamento do SUS
O próximo governo enfrentará o desafio de elevar o financiamento do SUS, que atualmente representa apenas 4% do PIB do Brasil. Especialistas apontam que, para garantir a sustentabilidade e a qualidade do Sistema Único de Saúde, é essencial que esses recursos aumentem para pelo menos 6% do PIB, que é a média adotada pelos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Walter Cintra, professor da FGV Saúde, destaca que o Brasil investe em média um terço do que esses países destinam à saúde, onde a maior parte do financiamento é pública, enquanto no Brasil a dependência em recursos privados é alta, com 60% dos gastos provenientes de planos de saúde e pagamentos diretos da população.
Assim, para atender a essa demanda, proposta do Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass) é que o orçamento do Ministério da Saúde cresça progressivamente, visando atingir os 6% do PIB em gastos públicos até 2030. Essa mudança é vista como fundamental para enfrentar os problemas históricos de subfinanciamento que afetam o SUS.
Propostas para melhoria da gestão do sistema de saúde
Os especialistas sugerem que a nova gestão do SUS facilite a coordenação entre os diferentes níveis de atendimento, com uma atenção especial à integração entre atenção primária e serviços de média e alta complexidade. Para melhorar esse aspecto, Cintra ressalta a necessidade de uma gestão mais eficaz que evite que o paciente seja enviado repetidamente entre os postos de saúde e os hospitais, como ocorre atualmente. A proposta inclui a capacitação das Unidades Básicas de Saúde (UBS) para que assumam um papel mais central na coordenação do cuidado e na prevenção de doenças.

Além disso, o financiamento do SUS deve ser orientado por um novo modelo que reconheça a saúde como um motor de crescimento econômico e inovação. Essa abordagem deve enfatizar a importância da transparência em processos como as filas para cirurgias eletivas e transplantes, permitindo que os cidadãos possam acompanhar sua posição em esperas por procedimentos e diagnósticos.
Desafios da atenção primária e média complexidade
Um dos principais desafios que o novo governo terá que enfrentar é a eficiência na atenção primária à saúde, onde muitas queixas da população estão ligadas à longa espera por consultas e procedimentos. Especialistas alertam que o modelo atual está excessivamente reativo, focado em emergências, enquanto as necessidades da população evoluem com o aumento das condições crônicas. Para que o SUS funcione de maneira eficaz, é essencial que seja promovida uma verdadeira coordenação entre as instâncias municipais e estaduais, garantindo que a atenção básica atue como a porta de entrada e supervisora do cuidado à saúde.
As soluções propostas para esses desafios incluem o fortalecimento da regionalização do SUS e a implementação de um marco de interoperabilidade no sistema de saúde. É indicado que as informações dos prontuários possam ser compartilhadas entre as esferas pública e privada, o que aumentaria a eficiência no atendimento e possibilitaria um uso mais eficaz de tecnologias digitais. Essas mudanças visam não apenas melhorar as condições do SUS, mas também reduzir a dependência do Brasil em relação a importações, através de um fortalecimento da indústria da saúde local.

Profissional com passagens por Designer Gráfico e gestões e atuação nas editorias de economia social em sites, jornais e rádios. Aqui no site ConecteSUS.org cuido sobre assuntos relacionados ao Sistema Único de Saúde.

