Atendimento por infertilidade masculina triplica no SUS

Atendimento por infertilidade masculina triplica no SUS | Tribuna Online

A infertilidade é uma questão que afeta muitos casais ao redor do mundo, e os dados recentes do Sistema Único de Saúde (SUS) revelam um aumento significativo nos atendimentos relacionados à infertilidade masculina. Esse fenômeno, que infelizmente traz à tona o sofrimento de muitos homens e suas parceiras, também indica um avanço em busca de diagnóstico e tratamento. Neste artigo, abordaremos os principais fatores que influenciam a fertilidade masculina, o papel da idade, hábitos de vida e as alternativas de tratamento disponíveis.

Um panorama da infertilidade masculina no Brasil

Os números relacionados à infertilidade masculina no Brasil são preocupantes. Consoante os dados do Ministério da Saúde, o número de atendimentos por infertilidade masculina no SUS mais que triplicou na última década. Em 2015, houve 725 atendimentos, e em 2024 esse número chegou a 2.500, um aumento substancial que reflete tanto a crescente conscientização sobre a saúde reprodutiva masculina quanto um possível aumento real dos casos.

Esse crescimento não pode ser desconsiderado como um simples aumento de demanda. O urologista Camilo Milanez atribui parte desse fenômeno a uma melhora na infraestrutura e nos serviços oferecidos pelo SUS, tornando mais acessível o diagnóstico e o tratamento da infertilidade. Além disso, os homens estão cada vez mais dispostos a buscar ajuda, destemidos ao enfrentar tabus e preconceitos que historicamente os cercavam.

Os principais fatores de risco da infertilidade masculina

Estudos indicam que a infertilidade masculina é frequentemente resultante de uma combinação de fatores. Aqui estão os mais significativos:

  1. Idade: Embora a infertilidade tenha sido historicamente vista como uma preocupação predominantemente feminina, a idade do homem tem um papel crucial. Mudanças na qualidade do sêmen — como a motilidade e a morfologia dos espermatozoides — começam a ser notadas após os 40 anos. Isso ocorre devido a alterações hormonais e a possíveis danos ao DNA dos espermatozoides.

  2. Varicocele: Esta condição, caracterizada pela dilatação das veias na bolsa escrotal, é uma das causas mais comuns de infertilidade masculina. Geralmente, é diagnosticada na adolescência, mas seus efeitos podem ser percebidos somente na fase adulta.

  3. Estilo de vida: Hábitos como sedentarismo, obesidade, tabagismo e consumo excessivo de álcool impactam negativamente a saúde reprodutiva. O uso de substâncias tóxicas, incluindo anabolizantes, também tem sido identificado como um fator de risco significativo.

  4. Alimentação: O consumo elevado de alimentos processados e pobres em nutrientes essenciais pode prejudicar a qualidade do sêmen e, por consequência, a fertilidade.

  5. Condições médicas: Alguns problemas médicos, como infecções ou doenças hormonais, podem comprometer a fertilidade. Além disso, situações de estresse psicológico têm sido associadas à diminuição da saúde reprodutiva.

Fazendo a diferença: a busca por tratamento

Um dos maiores desafios enfrentados por homens que lidam com a infertilidade reside na aceitação do problema e na busca de ajuda. O stigma associado à infertilidade masculina pode ser paralisante. No entanto, a abordagem moderna do tratamento começa com uma avaliação completa da saúde do homem, que pode incluir a realização de exames laboratoriais e físicos.

O acompanhamento com um andrologista é fundamental. Dependendo da avaliação, o tratamento pode variar desde mudanças simples no estilo de vida até intervenções mais complexas, como cirurgias ou tratamentos hormonais.

Mudanças que fazem a diferença

É essencial que homens busquem ativamente melhorar sua saúde reprodutiva. O que pode ser feito?

  • Atividade Física Regular: O exercício não só melhora a saúde física em geral, mas também pode impactar positivamente a qualidade do esperma.

  • Alimentação Balanceada: Incluir frutas, verduras, grãos integrais e proteínas magras na dieta é crucial. Os antioxidantes presentes em muitos alimentos podem ajudar na proteção dos espermatozoides.

  • Evitar Substâncias Tóxicas: A eliminação ou diminuição do consumo de álcool, tabaco e outras drogas deve ser uma prioridade para quem busca aumentar suas chances de concepção.

    Enviar pelo WhatsApp compartilhe no WhatsApp

  • Sono de Qualidade: Um sono adequado ajuda a regular os hormônios e a reduzir o estresse, fatores que podem influenciar a fertilidade.

  • Consulta Regular ao Médico: A saúde deve sempre ser monitora. Consultas regulares com um urologista podem ajudar a identificar problemas precocemente e a adotar estratégias de prevenção.

Trocar ideias: FAQ sobre infertilidade masculina

É comum que surjam dúvidas sobre infertilidade masculina, especialmente diante de números tão alarmantes. A seguir, listamos algumas das perguntas mais frequentes e suas respostas:

Por que a infertilidade masculina tem aumentado nos últimos anos?

O aumento pode ser atribuído à maior conscientização e ao acesso facilitado a tratamentos, além de mudanças nos hábitos de vida que impactam a saúde reprodutiva.

Quais alimentos são benéficos para a fertilidade masculina?

Alimentos ricos em antioxidantes, como frutas e vegetais frescos, além de proteínas magras e grãos integrais, são altamente recomendados. É importante evitar alimentos processados e ricos em gorduras trans.

Os anabolizantes afetam a fertilidade?

Sim, o uso de esteroides anabolizantes pode prejudicar a qualidade e a quantidade dos espermatozoides, levando a problemas de fertilidade que podem ser irreversíveis.

A varicocele é tratável?

Sim, a varicocele é uma condição tratável. Em muitos casos, cirurgia pode ajudar a reverter os danos e melhorar a fertilidade masculina.

Qual a importância da idade na fertilidade masculina?

A idade é um fator crucial. Após os 40 anos, a qualidade do sêmen começa a declinar, e isso pode ter um impacto significativo na fertilidade.

O consumo de álcool afeta a fertilidade?

Sim, o consumo excessivo de álcool pode prejudicar a produção de espermatozoides e, consequentemente, a fertilidade masculina.

Conclusão

A infertilidade masculina é um tema que está ganhando cada vez mais espaço nas discussões sobre saúde reprodutiva no Brasil. O aumento significativo nos atendimentos no SUS reflete não só um crescimento na demanda, mas, como discutido, também um avanço nas atitudes e na busca por diagnose e tratamento. Todos esses fatores nos mostram que, apesar dos desafios, é essencial continuar promovendo a educação sobre saúde reprodutiva, a aceitação de buscar ajuda e a necessidade de um estilo de vida saudável como forma de preservar a fertilidade.

Cientes disso, é fundamental que a sociedade continue a desmistificar a infertilidade masculina, fornecendo apoio e informação, para que todos os homens possam enfrentar essa questão de forma informada e determinada. Com um olhar otimista, cabe a cada um de nós não só cuidar da própria saúde mas também ser um agente de mudança na procura por um futuro em que todos possam ter a oportunidade de ter uma família.