Planta curativa da ‘vovó’ vira remédio pelo SUS pela 1ª vez

A planta curativa quebra-pedra, conhecida cientificamente como Phyllanthus niruri, é um exemplo notável da riqueza da biodiversidade brasileira e de como os saberes tradicionais podem se unir à ciência moderna. Este artigo explora a relevância desse arbusto, que vem sendo utilizado há gerações por comunidades indígenas e rurais no Brasil, para tratar problemas urinários, especialmente os temidos cálculos renais, conhecidos popularmente como “pedras nos rins”.

Recentemente, a quebra-pedra ganhou destaque e reconhecimento no âmbito da saúde pública ao ser incorporada como um fitoterápico pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Essa transformação representa um grande passo para valorizar a medicina tradicional e reconhecer a eficácia de práticas antigas que, por muito tempo, foram relegadas a um segundo plano no contexto científico. A iniciativa é um reflexo do que podemos chamar de “reconexão com nossas raízes”, tanto na esfera da saúde como na preservação da biodiversidade.

Planta curativa da ‘vovó’ vira remédio pelo SUS pela 1ª vez

O tratamento de cálculos renais com a quebra-pedra destaca-se não apenas pela eficácia reportada ao longo dos anos, mas também pelas promessas que a nova abordagem dentro do SUS traz. Este processo de legitimação da planta curativa da ‘vovó’ é um marco que poderá proporcionar acesso a um medicamento que combina conhecimento tradicional com evidências científicas. Com a produção do fitoterápico padronizado, garantido pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), muitos poderão contar com esse recurso de forma segura.

O que é a quebra-pedra?

A planta quebra-pedra é uma herbácea que se adapta bem a diferentes ecossistemas tropicais e subtropicais, sendo encontrada frequentemente em áreas urbanas e rurais do Brasil. É comum vê-la crescer em terrenos baldios, calçadas e até mesmo em quintais. Em várias regiões, é chamada de erva-pombinha, e seu uso se espalhou entre as comunidades por séculos.

As propriedades medicinais da quebra-pedra estão principalmente relacionadas ao fortalecimento do sistema urinário. A planta é conhecida por sua capacidade de auxiliar na dissolução de cálculos renais e na melhora da saúde geral do trato urinário. O uso popular dessa erva geralmente se dá na forma de chá, que é consumido por aqueles que sentem dores ao urinar ou têm histórico de formação de pedras.

A mudança para o SUS e seu impacto

A incorporação da quebra-pedra ao SUS é uma realização significativa, pois envolve um investimento considerável no desenvolvimento do fitoterápico. O Ministério do Meio Ambiente, em colaboração com a Fiocruz e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), está empenhado em viabilizar essa transformação. Com um investimento de R$ 2,4 milhões, que serão aplicados em melhorias de infraestrutura, a expectativa é que, em até dois anos, a quebra-pedra esteja disponível para a população.

Esse projeto busca não apenas a produção do fitoterápico em larga escala, mas também valoriza os saberes e manejos tradicionais das comunidades que sempre utilizaram essa planta. É fundamental reconhecer a importância do conhecimento acumulado ao longo de gerações, e sua integração com práticas científicas modernas. Isso representa um avanço não apenas para a saúde pública, mas também para a preservação da riqueza ambiental e cultural do Brasil.

Benefícios comprovados da quebra-pedra

Estudos científicos recentes têm analisado o potencial da quebra-pedra e seus efeitos positivos na saúde. Uma investigação conduzida pela Universidade de São Paulo (USP) analisou a utilização de Phyllanthus niruri em um grupo de 56 pacientes com cálculos renais de até 10 mm. Os resultados mostraram que algumas pessoas conseguiram eliminar os cálculos após um tratamento de 12 semanas.

Dentre os resultados mais notáveis da pesquisa, destacam-se:

  • Redução de cálculos renais: Parte dos pacientes que participaram do estudo apresentou diminuição significativa no número de cálculos.

  • Eliminação de fragmentos: Algumas pessoas conseguiram expelir fragmentos de pedras durante o tratamento.

  • Alterações na composição da urina: O uso da planta propiciou alterações metabólicas que favorecem a eliminação de substâncias indesejadas, como oxalato e ácido úrico.

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  • Segurança e efeitos colaterais: Os pesquisadores observaram que o uso da planta, na maioria dos casos, apresentou um perfil de segurança elevado, com poucos relatos de efeitos colaterais, que foram leves e transitórios.

É importante enfatizar que, embora os benefícios sejam promissores, a monitoração médica é fundamental, especialmente em casos mais severos de problemas renais. O uso de fitoterápicos deve ser sempre acompanhado por um profissional de saúde.

Contribuição para a saúde e meio ambiente

O uso da quebra-pedra como fitoterápico também representa uma oportunidade para fortalecer a indústria farmacêutica nacional e promover práticas de manejo sustentável da biodiversidade. Ao incentivar o acesso a medicamentos produzidos a partir de recursos naturais, o programa não apenas enriquece a farmacopeia brasileira, mas também ajuda a conservar as espécies vegetais essenciais para a medicina tradicional.

A valorização do conhecimento tradicional acumulado entre as comunidades que historicamente utilizaram plantas medicinais é um aspecto essencial para a construção de um sistema de saúde mais justo e acessível. Isso garante que a diversidade cultural e a sabedoria das populações locais sejam respeitadas e integradas aos serviços de saúde.

Perguntas frequentes

Quais são as principais propriedades medicinais da quebra-pedra?
A quebra-pedra possui propriedades diuréticas, anti-inflamatórias e hepatoprotetoras, sendo amplamente utilizada para tratar problemas urinários e hepáticos.

Como a planta é consumida?
Geralmente, a quebra-pedra é consumida em forma de chá, mas pode também ser encontrada em cápsulas e extratos em algumas farmácias de manipulação.

A quebra-pedra tem efeitos colaterais?
Sim, alguns dados indicam que o uso pode gerar efeitos colaterais leves, como dor abdominal e alterações urinárias, mas a maioria das pessoas não apresenta problemas significativos.

O tratamento com quebra-pedra substitui o acompanhamento médico?
Não, o tratamento com a planta deve ser um complemento, e não uma substituição, ao acompanhamento médico, especialmente em casos mais graves.

Quando a forma padronizada estará disponível no SUS?
A expectativa é que, dentro de dois anos, a forma padronizada da quebra-pedra esteja acessível à população, após cumprir todas as etapas de aprovação pela Anvisa.

A utilização dessa planta é segura para todos?
Embora a planta tenha se mostrado segura para a maioria das pessoas, é sempre recomendável consultar um profissional de saúde antes de iniciar qualquer tratamento, especialmente para aqueles que têm condições de saúde preexistentes.

Conclusão

A introdução da quebra-pedra como fitoterápico pelo SUS é um grande passo em direção à valorização das práticas tradicionais e à promoção da saúde baseada em evidências científicas. O investimento em pesquisa e desenvolvimento de medicamentos a partir da biodiversidade brasileira não só abre espaço para tratamentos mais acessíveis, mas também fortalece nossa relação com o meio ambiente e a diversidade cultural.

A planta curativa da ‘vovó’ não é apenas uma solução para problemas renais, mas também um símbolo da esperança de que práticas ancestrais possam, finalmente, encontrar seu lugar na modernidade. O futuro parece promissor, e todos nós temos um papel a desempenhar na preservação de saberes que podem beneficiar a saúde coletiva e a biodiversidade do nosso país. Portanto, que venham mais inovações que respeitem o conhecimento ancestral e que promovam um cuidado mais integral e humano com a saúde!