Os dados recentes não podem ser ignorados. O cenário da saúde pública, especialmente no que diz respeito à oftalmologia no Distrito Federal, é alarmante e merece toda a atenção da sociedade. Entre 2017 e 2026, os brasilienses que buscam atendimento nessa especialidade enfrentam um tempo de espera que pode chegar a impressionantes nove anos. Isso significa uma média de 853 dias sem o tratamento necessário, o que expõe um grave problema na regulação de saúde da capital. Este artigo visa explorar essa questão, suas consequências e possíveis soluções.
Pacientes do DF enfrentam fila de até 9 anos por oftalmologia no SUS
É inquietante pensar que, nos dias atuais, 60 mil solicitações de consultas oftalmológicas estão paralisadas no sistema público de saúde do DF. Um dado ainda mais preocupante é que metade dessas solicitações atinge a população idosa, que enfrenta um tempo de espera que, devido à sua saúde mais fragilizada, pode resultar em consequências irreversíveis.
As informações do painel Fila SUS, divulgado pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), revelam que existem pacientes que aguardam por consultas desde 2017, acumulando inacreditáveis 3.272 dias de espera. Além disso, mais de 1.700 pessoas que solicitaram atendimento antes da pandemia, em 2018 e 2019, continuam sem previsão de quando serão atendidas. Infelizmente, o problema só se agrava com o tempo; a partir de 2023, o número de solicitações não atendidas disparou, com 15.416 pessoas em fila apenas para aqueles que a solicitaram em 2025.
Risco de cegueira para os pacientes
A situação se torna ainda mais crítica quando olhamos para o impacto que essa demora pode ter na saúde visual dos pacientes. Anderson Teixeira, oftalmologista e professor da Universidade Católica de Brasília, chama a atenção para a importância do diagnóstico e tratamento precoces de doenças como catarata, glaucoma, retinopatia diabética e degeneração macular relacionada à idade. Ele alerta que, quanto mais tempo um paciente espera por um atendimento, maior é o risco de sofrer uma deficiência visual permanente, chegando até à cegueira.
De acordo com Teixeira, a faixa etária mais afetada pelas filas de espera é a de 60 a 70 anos. Nessa fase da vida, doenças oculares como catarata e glaucoma já começam a emergir, e jogar a sorte de um atendimento para anos à frente pode ser a diferença entre manter a autonomia ou ser forçado a uma dependência total. Por isso, o impacto psicológico e emocional dessa espera é profundo, e muitos idosos se veem em situações de isolamento e desespero.
Como funciona a regulação de consultas oftalmológicas?
Diante de um cenário tão complicado, entender como funciona a regulação de consultas oftalmológicas no Sistema Único de Saúde (SUS) é essencial. Quando um paciente deseja marcar uma consulta oftalmológica, a primeira ação é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) próxima à sua residência. O processo não é simples e exige um encaminhamento de um médico de família ou clínico geral.
Após esse encaminhamento, o pedido entra no Complexo Regulador de Saúde, que organiza a fila de atendimentos de acordo com a prioridade clínica. Isso significa que, embora existam casos urgentes, todos são diluídos em uma média de espera que não respeita a gravidade dos problemas. O paciente recebe uma confirmação da Secretaria de Saúde, informando a data, horário e unidade de atendimento.
Infelizmente, essa lógica de regulação tem se mostrado ineficaz. Pacientes em condição crítica, que deveriam ser atendidos rapidamente, convivem com uma média de espera de dois anos, o que fere o princípio básico de atendimento à saúde estipulado em nossa Constituição. Com mais de 28 mil pessoas em espera para atender a essa prioridade 2, o triagem acaba por não funcionar.
Como os pacientes podem agir?
Dada a gravidade da situação, muitos pacientes estão se mobilizando para buscarem soluções. Quando não conseguem o atendimento necessário na rede pública, uma alternativa é recorrer à Defensoria Pública do DF ou ao Ministério Público. Atualmente, cerca de 1,4 mil pacientes já ingressaram com ações judiciais para conseguir consultas ou exames.
No entanto, essa não deve ser a única solução a ser buscada. O que ainda se espera é que haja uma ação coordenada dos órgãos de saúde para a resolução desse problema. Macros políticas de saúde pública que priorizem o atendimento rápido e efetivo estão em falta. É necessário um esforço conjunto da sociedade civil, das instituições de saúde e do governo para garantir que a saúde ocular da população seja tratada com a urgência que o problema exige.
Pacientes do DF enfrentam fila de até 9 anos por oftalmologia no SUS: Perguntas frequentes
Por que o tempo de espera é tão longo para consultas oftalmológicas no DF?
O tempo de espera se deve a uma combinação de fatores, incluindo a falta de dotação de recursos, gestão ineficiente das filas e o aumento da demanda de pacientes.
Como posso saber em que lugar estou na fila para uma consulta?
Os pacientes podem entrar em contato com a Unidade de Saúde onde foram atendidos ou com a Secretaria de Saúde para obter informações sobre sua posição na fila.
É possível marcar uma consulta diretamente em um hospital?
Não. As consultas oftalmológicas pelo SUS precisam ser agendadas através de uma Unidade Básica de Saúde, onde um encaminhamento será feito.
Se um paciente for considerado paciente prioritário, quanto tempo ele deve esperar?
Embora o ideal seja que pacientes prioritários sejam atendidos em semanas, na prática, eles acabam aguardando até dois anos devido à ineficiência do sistema.
O que fazer se um paciente está em risco iminente de perda de visão?
Recomendamos que o paciente busque imediatamente orientação médica e considere a possibilidade de recorrer à Defensoria Pública para garantir um atendimento mais ágil.
Como é feito o controle das consultas agendadas?
A Secretaria de Saúde tem um sistema de regulação que deve organizar as consultas, mas a falta de comunicação e gestão efetiva tem causado muitos problemas.
Conclusão
A saúde pública é um direito de todos os cidadãos e deve ser tratada com seriedade. O caso dos pacientes do DF que enfrentam filas de até 9 anos para atendimento oftalmológico exemplifica uma falha grave no sistema, que resulta em consequências dolorosas, especialmente para os mais vulneráveis, como os idosos. É fundamental que a sociedade se mobilize para exigir mudanças e soluções efetivas. Somente assim poderemos garantir um futuro mais saudável para todos.

Olá, meu nome é Gabriel, editor do site ConecteSUS.org, focado 100%. Olá, meu nome é Gabriel, editor do site ConecteSUS.org, focado 100%

