Até 90% do atendimento do SUS no interior é de Santas Casas

As Santas Casas e hospitais filantrópicos são fundamentais para a saúde pública em São Paulo, desempenhando um papel vital na estrutura de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo Edson Rogatti, diretor-presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Estado de São Paulo (Fehosp), essas instituições são responsáveis por uma parte significativa dos serviços, especialmente em áreas mais afastadas dos grandes centros urbanos. Neste artigo, exploraremos a importância dessas instituições, os desafios que enfrentam e as propostas para o fortalecimento do sistema de saúde.

Até 90% do atendimento do SUS no interior é de Santas Casas – Times Brasil

As Santas Casas têm uma presença marcante no atendimento à saúde no interior de São Paulo. De acordo com dados recentes, cerca de 407 unidades filantrópicas atuam no estado, respondendo por mais de 60% dos atendimentos de média complexidade e quase 70% dos atendimentos de alta complexidade no SUS. Em regiões do interior, a dependência dessas instituições é ainda mais acentuada, alcançando índices impressionantes entre 85% e 90% dos atendimentos.

Esse cenário é resultado de uma série de fatores que incluem a infraestrutura e os recursos financeiros disponíveis para a saúde. As Santas Casas e hospitais filantrópicos são frequentemente as únicas opções para a população em áreas rurais e suburbanas, proporcionando serviços essenciais que vão desde atendimentos simples a procedimentos complexos, como cirurgias e tratamentos especializados.

A média complexidade compreende procedimentos cirúrgicos como apendicites e pequenas operações, enquanto a alta complexidade abrange áreas como oncologia, cardiologia e neurologia, que demandam equipamentos e especialistas específicos. Essa diversidade de serviços é crucial para garantir que a população tenha acesso a tratamentos adequados e de qualidade, independentemente de onde resida.

Desafios financeiros e a sustentabilidade das Santas Casas

Apesar de sua importância, as Santas Casas e os hospitais filantrópicos enfrentam uma série de desafios financeiros. O modelo de financiamento atual é considerado insustentável, resultando em um endividamento que ultrapassa os R$ 21 bilhões. Uma das principais razões para essa crise é a falta de reajustes na tabela do SUS, que inclui aproximadamente 6 mil procedimentos. Essa estagnação nos valores pagos pelos serviços prestados tem implicações diretas na capacidade das instituições em manter operações eficientes e fornecer os cuidados necessários.

Agora, com algumas iniciativas promissoras em vigor, parece haver uma luz no fim do túnel. A criação da tabela SUS paulista, que começou a valer em janeiro de 2024, busca não apenas corrigir essa defasagem, mas também implementar novos aportes federais e aumentar a participação de estados e municípios no financiamento da saúde.

A importância das parcerias e da gestão integrada

Outro aspecto crucial que Rogatti destaca é a necessidade de implementar um modelo de financiamento que funcione de forma integrada entre as esferas federal, estadual e municipal. Essa harmonia é vital para atender corretamente às demandas da população e garantir que os recursos sejam usados de forma eficaz. A participação do setor privado também é um tema que merece atenção, já que parcerias com empresas e universidades podem trazer inovação e eficiência ao atendimento.

Recentemente, experiências de colaboração no setor oncológico têm mostrado resultados positivos. O apoio de laboratórios e empresas tem ampliado o atendimento e contribuído para aumentar a capacidade das Santas Casas de oferecer serviços de alta qualidade.

Melhorando o atendimento: agilizando processos e otimizando recursos

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Um dos principais desafios mencionados por Rogatti é a lentidão com que as filas para atendimentos são geridas. Apesar de não ser realista esperar que essas filas desapareçam completamente, há um consenso de que é necessário agir para que os processos sejam mais ágeis. A implementação de sistemas de gestão mais eficazes e o uso inteligente dos recursos disponíveis são passos essenciais nesse sentido.

A multiplicação de modelos bem-sucedidos que misturam a tradição dos hospitais filantrópicos com inovações gerenciais modernas pode ser uma alternativa para melhorar a qualidade do atendimento. Investir na formação de profissionais qualificados e na adoção de práticas administrativas eficientes pode contribuir significativamente para o sucesso das Santas Casas.

Perguntas Frequentes

Qual é o papel das Santas Casas no SUS?
As Santas Casas desempenham um papel essencial no SUS, realizando mais de 60% dos atendimentos de média complexidade e quase 70% dos de alta complexidade em São Paulo.

Como as Santas Casas são financiadas?
Elas dependem de repasses do SUS, doações e, em muitos casos, parcerias com o setor privado. No entanto, a falta de atualização na tabela do SUS tem gerado dificuldades financeiras.

O que é a tabela SUS paulista?
A tabela SUS paulista é uma iniciativa que visa corrigir a defasagem nos valores pagos pelos procedimentos de saúde, buscando promover a sustentabilidade financeira das instituições de saúde no estado.

Por que é importante fortalecer as parcerias com o setor privado?
As parcerias podem trazer novos recursos, tecnologias e experiências, além de melhorar a eficiência do atendimento prestado às populações carentes.

Quais áreas de saúde as Santas Casas atendem?
Elas atendem uma ampla gama de áreas, incluindo cirurgias de média complexidade, oncologia, cardiologia, neurologia e ortopedia, buscando atender as necessidades diversas da população.

Como está sendo feito o acompanhamento da melhora nos atendimentos nas Santas Casas?
A expectativa é que com a nova tabela e as melhorias no sistema de gestão, o atendimento seja otimizado, mas o acompanhamento contínuo e a avaliação dos resultados são fundamentais para garantir que essas mudanças realmente façam a diferença.

Considerações finais

O fortalecimento das Santas Casas e hospitais filantrópicos é vital para garantir o acesso à saúde de qualidade para grande parte da população brasileira, especialmente nas áreas mais afastadas. Com 407 unidades atuando em São Paulo e uma dependência de até 90% do atendimento no interior do estado, é imperativo que se reconheça a importância dessas instituições e se busquem soluções viáveis para os desafios que elas enfrentam. A integração entre os setores público e privado, junto com uma gestão eficiente e um modelo de financiamento sustentável, pode transformar o cenário atual, tornando o sistema de saúde mais robusto, acessível e eficiente para todos.