O Brasil está fazendo um progresso notável na promoção da amamentação exclusiva, especialmente entre os bebês acompanhados pela Atenção Primária à Saúde (APS) do Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2025, o país registrou um impressionante índice de 57% de cobertura de amamentação exclusiva entre bebês de zero a seis meses. Este é um marco significativo, já que representa um dos maiores percentuais desde o início da série histórica do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) em 2015. Para entender a importância desse dado, é crucial explorar o contexto em que ele se insere, suas implicações e as recomendações das organizações de saúde.
Brasil registra 57% de amamentação exclusiva entre bebês acompanhados pelo SUS | Clube Noticia
A amamentação exclusiva é definida como a prática de alimentar os bebês somente com leite materno, sem a adição de água, chás, sucos ou qualquer outro tipo de alimento. Essa prática é vital para garantir a saúde e o desenvolvimento adequado das crianças. O leite materno não apenas serve como a principal fonte de nutrição, mas também oferece proteção contra doenças, contribui para o fortalecimento do sistema imunológico e promove um vínculo afetivo entre a mãe e o filho. Em 2024 e 2025, o Brasil alcançou o mesmo percentual de 57%, destacando o esforço contínuo em promover a amamentação.
A importância do suporte da Atenção Primária à Saúde
Um dos fatores cruciais que têm impactado esses números é a atuação robusta da Atenção Primária à Saúde. As Unidades Básicas de Saúde (UBS) desempenham um papel essencial no acompanhamento das mães e dos bebês durante a gestação e o período pós-natal. Profissionais capacitados fornecem orientação desde a gestação, apoiando as famílias a entender a importância da amamentação e como realizá-la de forma eficaz. Esse suporte vai além do simples aconselhamento; envolve um acompanhamento contínuo do crescimento e desenvolvimento da criança, o que é fundamental para garantir que o aleitamento materno exclusivo seja mantido.
A assistência oferecida nas UBS é multidisciplinar e inclui enfermeiros, nutricionistas e médicos, todos trabalhando juntos para promover a saúde das mães e dos bebês. Essa abordagem integrada garante que as mães recebam o suporte necessário para abordar devidamente os desafios que podem surgir durante a amamentação. Estar cercada por profissionais que compreendem as dificuldades e oferecem soluções viáveis pode fazer toda a diferença na experiência de amamentar.
Dados e estatísticas sobre a amamentação no Brasil
Os números mais recentes são encorajadores, mas é importante notar que os dados do Sisvan refletem apenas os bebês acompanhados pela rede pública. Um estudo nacional realizado pelo Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani-2019) mostrou que, considerando a população brasileira de forma representativa, apenas 45,8% das crianças de zero a seis meses estavam sendo amamentadas exclusivamente com leite materno. Essa diferença entre o que se observa na rede pública e o que se vê em uma avaliação mais ampla sublinha a necessidade de uma abordagem mais abrangente e inclusiva para a promoção da amamentação.
Além disso, é importante ressaltar que a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu uma meta de alcançar pelo menos 60% de aleitamento materno exclusivo entre crianças menores de seis meses até 2030. O Brasil, portanto, está no caminho certo, mas existem desafios pela frente que precisam ser abordados.
Benefícios do aleitamento exclusivo durante os primeiros meses de vida
Os benefícios do aleitamento exclusivo vão muito além da nutrição. O leite materno é rico em anticorpos e nutrientes que ajudam a fortalecer o sistema imunológico do bebê, protegendo-o contra doenças como diarreia e infecções respiratórias. Além disso, estudos sugerem que crianças alimentadas exclusivamente com leite materno tendem a ter um desenvolvimento cognitivo superior em comparação àquelas que recebem uma alimentação diversificada desde muito cedo.
Outro aspecto importante é o vínculo emocional que se estabelecido entre mãe e filho durante a amamentação. Esse contato físico e a proximidade não apenas ajudam a construir uma relação mais forte, mas também têm impactos positivos no desenvolvimento emocional da criança. Em um ambiente onde a amamentação é incentivada e apoiada, as mães também podem sentir-se mais confiantes em suas habilidades parentais.
Tipos de apoio e recursos disponíveis
Existem diversos recursos disponíveis para as mães que desejam se dedicar à amamentação exclusiva. Desde grupos de apoio até consultorias individuais, cada vez mais iniciativas estão surgindo para oferecer suporte e informações. Muitas maternidades têm implementado programas de acolhimento para informar e encorajar as novas mães durante a hospitalização.
A promoção da amamentação também está presente em campanhas de conscientização. Materiais educativos são distribuídos em UBS e hospitais, lecionando sobre a importância do aleitamento e desmistificando mitos que podem atrapalhar a amamentação. A sensibilização da população sobre os benefícios do aleitamento materno é fundamental para dar suporte a essas mães.
Desafios enfrentados e como superá-los
Apesar dos avanços, muitas mães ainda enfrentam obstáculos significativos que podem dificultar a amamentação exclusiva. O retorno ao trabalho após a licença-maternidade é um grande desafio, especialmente em um cenário onde a jornada de trabalho é intensa e pouco flexível. Muitas mulheres se sentem pressionadas a interromper a amamentação quando precisam voltar ao trabalho, o que pode impactar negativamente as taxas de amamentação.
Outro fator que pode ser desafiador é a falta de apoio emocional e prático. Algumas mães não têm acesso a informações adequadas ou não têm acompanhamento durante a amamentação, o que pode levar ao desânimo. Um apoio emocional sólido, seja através da família ou de profissionais, é essencial para ajudar as mães a persistirem na amamentação.
A meta de 2030 e o caminho para o futuro
O Brasil registra 57% de amamentação exclusiva entre bebês acompanhados pelo SUS | Clube Noticia, mas o país precisa buscar a meta ambiciosa de 60% até 2030. A chave para alcançar essa meta está na implementação de políticas públicas eficazes que incentivem e suportem a amamentação. As Unidades Básicas de Saúde precisam ser constantemente aprimoradas e os profissionais de saúde devem ser capacitados para fornecer um apoio ainda mais eficiente.
Precisamos considerar medidas que incluam flexibilidade no local de trabalho para mães lactantes, bem como campanhas contínuas de conscientização sobre a importância do aleitamento. É essencial envolver a comunidade, as famílias e as mães em um diálogo contínuo sobre a amamentação.
Perguntas frequentes
O que é amamentação exclusiva?
Amamentação exclusiva é o ato de alimentar um bebê apenas com leite materno, sem adição de água, chás ou outro tipo de alimento.
Quais são os benefícios do leite materno?
O leite materno é rico em nutrientes e anticorpos, ajudando a proteger o bebê contra doenças e contribuindo para seu desenvolvimento saudável.
Qual é a meta da OMS para a amamentação até 2030?
A Organização Mundial da Saúde estabeleceu a meta de alcançar pelo menos 60% de aleitamento materno exclusivo entre crianças menores de seis meses até 2030.
Como as Unidades Básicas de Saúde ajudam na amamentação?
As UBS oferecem suporte profissional, orientação e acompanhamento às mães durante a gestação e a amamentação, ajudando a promover a saúde materno-infantil.
Quais desafios as mães enfrentam ao amamentar?
Desafios incluem o retorno ao trabalho, falta de apoio emocional, e desinformação sobre a amamentação.
Como posso obter apoio para amamentação?
Existem grupos de apoio, consultores em lactação e materiais educativos disponíveis nas UBS e maternidades que podem oferecer suporte.
Conclusão
Os avanços na amamentação exclusiva no Brasil representam um passo significativo em direção a uma geração mais saudável. O registro de 57% de cobertura de amamentação exclusiva entre bebês acompanhados pelo SUS é uma conquista meritória, que reflete os esforços conjuntos de profissionais de saúde, mães e sistemas de apoio. No entanto, a jornada ainda não acabou. Com a meta de 60% até 2030, é nossa responsabilidade coletiva garantir que cada mãe e cada criança tenham acesso aos recursos e ao suporte necessário para uma amamentação bem-sucedida. O futuro da saúde infantil no Brasil depende do nosso comprometimento em promover e facilitar essa prática fundamental.

Profissional com passagens por Designer Gráfico e gestões e atuação nas editorias de economia social em sites, jornais e rádios. Aqui no site ConecteSUS.org cuido sobre assuntos relacionados ao Sistema Único de Saúde.
