Defasagem da Tabela SUS chega ao STF e debate financiamento

A defasagem dos valores da Tabela SUS é um tema central que chega ao Supremo Tribunal Federal (STF), envolvendo hospitais filantrópicos e santas casas.

O caso foi levado ao STF pela Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora (MG), que busca a equiparação dos valores pagos pelo SUS aos indicadores da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

As instituições afirmam que a remuneração atual cobre apenas 40% a 60% dos custos dos atendimentos, contribuindo para a crise financeira dos hospitais.

defasagem da Tabela SUS

A discussão envolve não apenas a possível reposição dos valores, mas também como esses custos serão compartilhados entre União, estados e municípios.

Revisão dos Valores da Tabela SUS

A defasagem da Tabela SUS tem se tornado um tema central na discussão sobre o financiamento dos hospitais, com grave impacto para as santas casas e instituições filantrópicas, que frequentemente alegam dificuldades financeiras em decorrência dos valores insuficientes para cobrir os custos dos atendimentos prestados. O processo chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) após uma ação da Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora (MG). Neste contexto, os hospitais buscam a equiparação das remunerações com aqueles valores previstos na Tabela Única Nacional de Equivalência de Procedimentos (Tunep) e no Índice de Valoração do Ressarcimento (IVR), que são usados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para definir quanto os planos de saúde devem ressarcir ao SUS.

Enviar pelo WhatsApp compartilhe no WhatsApp

O STF decidirá, portanto, não apenas se é viável essa equiparação, mas também como uma eventual revisão impactaria o orçamento da saúde pública e a divisão de responsabilidades entre a União, estados e municípios em relação aos possíveis reajustes.

Impacto Financeiro e Sustentabilidade

O impacto financeiro da defasagem da Tabela SUS é significativo, estimando-se que a equiparação com os valores da saúde suplementar poderia acarretar um custo adicional de R$ 24 bilhões ao orçamento do Ministério da Saúde, com implicações graves para a sustentabilidade financeira do sistema público de saúde. A atual tabela, vigente desde 2008, remunera os hospitais entre 40% e 60% dos custos reais dos procedimentos, obrigando-os a buscar fontes de financiamento alternativas para a manutenção dos serviços prestados.

Segundo especialistas e representantes do setor, a falta de atualização dos valores ao longo dos anos, combinada com o aumento dos gastos com insumos e profissionais, vem contribuindo para o crescente endividamento das instituições de saúde. Embora reconheçam avanços, como a proposta de revisões periódicas, os representantes do setor pedem uma recomposição das perdas históricas e um novo modelo de financiamento que reflita os custos reais dos atendimentos.

O presidente da Confederação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Filantrópicos (CMB), Flaviano Feu Ventorim, enfatiza que as soluções até agora implementadas não foram suficientes para resolver a defasagem da tabela. “A judicialização surgiu do desespero das instituições para manter suas operações. Se houvesse uma tabela justa, certamente não precisaríamos dessa intervenção judicial”, argumenta.

Adicionalmente, a União posiciona-se contra a equiparação, defendendo que os valores da Tunep e do IVR não foram estabelecidos como base para a remuneração dos prestadores de serviços, e afirma que cabe aos gestores locais complementarem o que é pago pela Tabela SUS, que é considerada uma referência mínima.