‘Devo ao SUS o fato de andar’; um dos maiores sistemas de saúde pública do mundo completa 35 anos

Devo ao SUS o fato de andar; um dos maiores sistemas de saúde pública do mundo completa 35 anos | Economia

O amor pela saúde, ou melhor, o direito à saúde. Essa é a essência do Sistema Único de Saúde (SUS), que há 35 anos vem transformando o Brasil em uma nação mais justa e saudável. Ao longo desse período, o SUS se revelou uma ferramenta fundamental para garantir acesso à saúde, especialmente para aqueles que não poderiam arcar com custos de tratamentos médicos em sistemas privados. Milhões de histórias poderiam ilustrar a importância desse sistema, como a de Mattheus Henrique, que atribui ao SUS não apenas a recuperação de sua mobilidade, mas também a chance de uma nova vida.

Os números impressionam: cerca de 2,8 bilhões de atendimentos por ano, uma rede que envolve aproximadamente 3,5 milhões de profissionais e uma cobertura potencial de 70% na atenção primária. No entanto, esses dados refletem não apenas uma estrutura rígida de serviços, mas também a luta e a resistência de todos que se uniram para dar voz aos desprovidos de cuidados médicos, especialmente durante a ditadura militar, quando somente uma parte da população tinha acesso à saúde. O SUS, portanto, não é só um sistema, mas um verdadeiro marco da cidadania e do direito à saúde no Brasil.

A origem do SUS

Rebobinando a fita do tempo, o surgimento do SUS remonta a um Brasil em crise, onde muitos cidadãos estavam à margem da sociedade, sem acesso a uma saúde digna. O cenário era marcado por desigualdade. Apenas trabalhadores com carteira assinada eram garantidos ao atendimento médico. Isso, claro, gerou um clamor popular. Organizações de donas de casa e o chamado “movimento sanitário” se intensificaram, e a luta pela reforma na saúde ganhou força, culminando na formação do que hoje conhecemos como SUS.

Na Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988, essa luta foi formalizada: o artigo 196 da nova Constituição Federal definiu que “A saúde é direito de todos e dever do Estado”. Com essa declaração, em 1990, nasceu oficialmente o SUS, que desde então se instituí como um modelo descentralizado, garantindo um atendimento mais acessível a todos. E mesmo diante de desafios contínuos, o SUS se consolidou como um dos maiores sistemas de saúde pública do planeta.

Os pilares do SUS

Um dos maiores diferenciais do SUS é a sua estrutura baseada em cinco pilares fundamentais que garantem a qualidade e a abrangência do sistema. Mario Dal Poz, diretor do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, descreve esses pilares como:

  • Universalidade: A saúde como um direito para todos, indiscriminadamente.
  • Integralidade: Oferecendo atendimento completo e contínuo em diversas complexidades.
  • Equidade: Tratando de maneira desigual aqueles que necessitam mais, promovendo justiça social.
  • Descentralização da gestão: Garantindo que estados e municípios tenham autonomia para gerir a saúde localmente.
  • Participação social: Permite que a sociedade atue no controle e na fiscalização do sistema.

Esses pilares não são apenas palavras jogadas ao vento; eles são a espinha dorsal de um sistema complexo e abrangente, que luta para enfrentar as desigualdades sociais e garantir que todos tenham acesso à saúde de qualidade.

Histórias de superação: O caso de Mattheus

O relato de Mattheus Henrique Azevedo exemplifica como o SUS pode transformar vidas. Mattheus, aos 12 anos, enfrentou uma situação crítica de saúde. Diagnosticado com epifisiólise crônica, ele sofreu intensas dores e limitações, que culminaram em uma espera angustiante por tratamento.

Durante meses, sofreu em um hospital com infraestrutura limitada, e a esperança parecia se esgotar. Contudo, a virada aconteceu quando ele soube da existência do Hospital da Criança de Vila Valqueire, onde conseguiu realizar a cirurgia que poderia salvar sua perna. Mattheus afirma, com firmeza, que sua vida e sua mobilidade são gifts diretos do SUS.

Essa história ilustra, em sua essência, o propósito maior do SUS: proporcionar um acesso universal e gratuito à saúde. O caso de Mattheus é apenas um entre bilhões, mas simboliza como o SUS pode ser uma verdadeira tábua de salvação em momentos críticos.

A abrangência do SUS: do cuidado preventivo ao transplante de órgãos

Além de prestar cuidados básicos à saúde, o SUS atua em áreas altamente complexas. Desde o Programa Nacional de Imunizações, que assegura vacinas essenciais, até o Sistema Nacional de Transplantes, considerado o maior programa público de transplantes do mundo, o SUS abrange um elenco diversificado de serviços.

Só em 2024, mais de 30 mil transplantes foram realizados no Brasil. Essa cifra não é apenas um número; representa vidas salvas e segundas chances. O Brasil se firmou como referência global em doação, captação e distribuição de órgãos, muito devido à robustez e à estrutura do SUS.

A vacinação, por outro lado, destaca-se como um pilar da saúde pública, ajudando na eliminação de doenças como a polio e sarampo. A gestão ativa das campanhas de vacinação e vigilância vacinal são vitais, especialmente em tempos de pandemia, como enfrentado em 2020.

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A revolução digital: telessaúde como um suporte essencial

Nos últimos anos, o setor de saúde começou a implementar tecnologias digitais que garantem um atendimento mais acessível e eficiente. A telessaúde, em particular, vem crescendo em popularidade. Em 2024, mais de 2,5 milhões de consultas realizadas remotamente foram contabilizadas. Essa inovação não apenas facilita o acesso a consultas, mas também acelera diagnósticos e seguimento de doenças crônicas.

O papel da tecnologia é cada vez mais relevante para o SUS, já que oferece alternativas que combatem a distância e melhoram a comunicação entre médicos e pacientes. Esse tipo de atendimento é vital, especialmente em um país tão vasto e com desafios em termos de logística e infraestrutura.

Desafios e prioridades à frente do SUS

Embora os avanços sejam consideráveis, o SUS também enfrenta sérios desafios. O subfinanciamento crônico, a desigualdade na distribuição de profissionais de saúde e a infraestrutura limitada são alguns dos obstáculos em seu caminho. Medidas que fortaleçam a atenção primária, articulem a telessaúde e aprimorem o diagnóstico e acesso aos serviços são cruciais para continuar a evolução e garantir o atendimento de qualidade à população.

Além disso, a formação e fixação de profissionais de saúde, especialmente nas regiões mais carentes do país, são essenciais para assegurar um atendimento adequado e contínuo.

Por que o SUS é relevante em 2025?

Em um país como o Brasil, com suas imensas desigualdades, o SUS atua como uma rede de segurança sanitária, provendo não apenas serviços de saúde, mas cuidado e esperança. Ele coordena respostas a epidemias, mantém campanhas de vacinação em massa, organiza transplantes e amplia o acesso à saúde, especialmente para aqueles que não teriam acesso em sistemas privados.

Os números — bilhões de atendimentos, recordes em transplantes e expansão da telessaúde — evidenciam que políticas públicas bem estruturadas são capazes de transformar a saúde coletiva em um direito efetivo. O SUS é mais do que uma estrutura de atendimento; é um símbolo da luta por um Brasil mais justo e igualitário.

Perguntas frequentes

Afinal, o que é o SUS?
O SUS, ou Sistema Único de Saúde, é um sistema de saúde público brasileiro que garante atendimento médico integral e gratuito a todos os cidadãos.

Como o SUS é financiado?
O SUS é financiado por impostos federais, estaduais e municipais, além de recursos do Sistema Único de Saúde.

Quais são os direitos garantidos pelo SUS?
Os cidadãos têm direito a acesso universal à saúde, atendimento de qualidade, medicamentos e consultas sem custos.

O SUS é igual para todos?
Sim, o SUS visa garantir acesso à saúde para todos os cidadãos, independentemente de sua situação socioeconômica.

O que fazer em caso de problemas no atendimento pelo SUS?
Em caso de problemas, é possível realizar reclamações em órgãos de controle, como a Ouvidoria do SUS ou o Ministério Público.

Como o SUS lida com doenças raras?
O SUS possui programas para o tratamento de doenças raras, incluindo acesso a medicamentos e procedimentos necessários.

Com toda essa estrutura e comprometimento, o SUS seguirá, com certeza, alcançando e promovendo cuidados de saúde a milhões de brasileiros. No final das contas, a luta pela saúde como um direito de todos é um passo essencial para a construção de um futuro mais saudável e justo. Portanto, devemos reconhecer e honrar o SUS, não apenas como um sistema de saúde, mas como um verdadeiro pilar da cidadania no Brasil.