A obesidade é um problema de saúde pública que afeta milhões de pessoas no Brasil e no mundo. Com o aumento dos índices de sobrepeso nos últimos anos, o governo federal e as autoridades de saúde estão em busca de soluções eficazes para combater essa condição. Nesse contexto, a introdução de medicamentos inovadores, como a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, no Sistema Único de Saúde (SUS) tem sido um tema de discussão. Recentemente, a governadora em exercício do Distrito Federal, Celina Leão, afirmou que o GDF está estudando a inclusão desse tipo de medicação no protocolo de atendimento para perda de peso. No entanto, essa medida enfrenta um grande obstáculo: o custo elevado dessa medicação, que, segundo o Ministério da Saúde, pode gerar um impacto orçamentário de até R$ 8 bilhões.
A realidade do tratamento da obesidade no Brasil
A obesidade é um distúrbio alimentar complexo que resulta do acúmulo excessivo de gordura no corpo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a obesidade uma epidemia global, e no Brasil, os dados são alarmantes. Segundo a última pesquisa do IBGE, mais de 60% da população brasileira está acima do peso, e quase 40% apresenta obesidade.
O tratamento da obesidade no SUS é fundamentado em um modelo multimodal, que inclui ações preventivas, acompanhamento nutricional e, em casos mais severos, intervenções cirúrgicas. O cuidado ao paciente obeso começa nas Unidades Básicas de Saúde, onde são disponibilizados serviços como consultas com nutricionistas e psicólogos. Quando necessário, o encaminhamento para procedimentos mais invasivos, como a cirurgia bariátrica, é realizado.
Esse suporte inicial é essencial, mas muitos pacientes ainda se sentem inseguros quanto ao acesso a tratamentos medicamentosos mais eficazes. E aqui entra o dilema em torno da tirzepatida.
Governo diz que canetas emagrecedoras no SUS custariam R$ 8 bilhões
As canetas injetáveis, como o Mounjaro, se destacaram como uma nova opção de tratamento. Embora tenham sido desenvolvidas inicialmente para o controle da diabetes tipo 2, estudos recentes indicam que a tirzepatida pode promover perda de peso significativa em pacientes obesos.
No entanto, a proposta do GDF de incluir essas opções no SUS enfrenta um desafio logístico e financeiro. O alto custo da tirzepatida é um entrave. O preço total de uma caixa com quatro canetas é de R$ 1.907,29 (2,5 mg) ou até R$ 2.384,34 (5 mg), o que pode ser inviável para o orçamento da saúde pública. O Ministério da Saúde já estimou que a introdução desses medicamentos ao SUS pode ter um impacto financeiro que ultrapassa R$ 8 bilhões, levando em consideração o número de pacientes que necessitariam desse tratamento.
Essa cifra representa quase o dobro do orçamento do programa Farmácia Popular em 2025, destacando a urgência de um debate mais amplo sobre a inclusão de medicamentos no SUS e suas implicações financeiras.
O papel da Conitec no processo de incorporação de tecnologias
A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) é responsável por avaliar e deliberar sobre a inclusão de novos medicamentos e tecnologias. Atualmente, não há nenhum pedido formal para a inclusão da tirzepatida no SUS. Em agosto do ano passado, essa comissão já havia negado a incorporação da semaglutida (Ozempic) e liraglutida (Saxenda) devido, em parte, ao impacto orçamentário significativo.
A falta de uma aplicação formal para a tirzepatida até o momento levanta questões importantes sobre a dinâmica entre inovação farmacológica e viabilidade financeira no sistema de saúde pública brasileiro. A demanda por tratamentos que visam não apenas a perda de peso, mas a promoção da saúde pública e a prevenção de doenças crônicas deve ser equilibrada com as capacidades orçamentárias do governo.
Impactos e possíveis soluções financeiras
A introdução de medicamentos como a tirzepatida no SUS tem o potencial de transformar o tratamento da obesidade no Brasil. Contudo, os impactos orçamentários identificados ressaltam a importância de discutir alternativas viáveis e sustentáveis. Uma das possíveis soluções seria a criação de parcerias público-privadas que poderiam ajudar a custear parte do tratamento, ou mesmo a negociação de preços com fabricantes.
Outra alternativa passa pelo estímulo à concorrência no setor farmacêutico. O Ministério da Saúde já solicitou que a Anvisa priorize o registro de novos medicamentos com os princípios ativos semaglutida e liraglutida, na esperança de que isso possa gerar uma diminuição nos preços e, possivelmente, ofereça mais opções de tratamento.
Ademais, é crucial que o governo federal, junto às esferas estaduais e municipais, dissemine o conhecimento sobre a obesidade, suas consequências e a importância do tratamento precoce. As ações educativas, como os programas de saúde nas escolas e campanhas públicas, são fundamentais para criar uma cultura de saúde que priorize hábitos alimentares saudáveis e a prática de atividades físicas.
Experiências de sucesso com tratamentos para obesidade
Em alguns estados brasileiros, como Rondônia, já existem iniciativas para a inclusão de medicamentos como o Mounjaro no tratamento da obesidade pelo SUS. A Assembleia Legislativa daquele estado aprovou um projeto que autoriza a oferta da tirzepatida e a liraglutida nos serviços públicos de saúde. Essa medida é um exemplo de como as políticas de saúde podem se adaptar às necessidades locais, possibilitando que pacientes com obesidade mórbida tenham acesso a tratamentos eficazes.
A governadora Celina Leão argumentou que a introdução desse medicamento poderia não apenas melhorar a qualidade de vida dos pacientes, mas também reduzir a demanda por cirurgias bariátricas e outras complicações relacionadas à obesidade.
Perguntas frequentes
Quais são os principais medicamentos para o tratamento da obesidade?
Os principais medicamentos incluem a liraglutida (Saxenda) e a semaglutida (Ozempic), além da tirzepatida (Mounjaro).
Como a tirzepatida age no organismo?
A tirzepatida atua no sistema nervoso central, promovendo a saciedade e reduzindo o apetite, além de contribuir para a regulação do metabolismo da glicose.
O que o SUS oferece atualmente para o tratamento da obesidade?
O SUS oferece acompanhamento nutricional, psicológico e, em casos extremos, cirurgia bariátrica.
Quais os impactos financeiros da inclusão da tirzepatida no SUS?
O impacto financeiro estimado é de até R$ 8 bilhões, o que levanta questões sobre a viabilidade dessa inclusão.
Há alternativas mais baratas disponíveis no mercado?
Alguns medicamentos que já estão disponíveis no mercado, como a liraglutida, podem ser considerados, mas também possuem custo elevado.
É possível que a tirzepatida seja incorporada ao SUS no futuro?
Sim, isso dependerá de fatores financeiros, decisões da Conitec e da necessidade de tratamentos no sistema público de saúde.
A esperança de um futuro mais saudável
A discussão em torno da inclusão das canetas emagrecedoras no SUS evidencia um tema relevante e atual no campo da saúde pública. A questão do custo e a integridade dos serviços de saúde são fatores que precisam ser considerados com cautela. É preciso buscar um equilíbrio entre a necessidade de inovação e a realidade financeira, a fim de garantir que todos, especialmente os que mais necessitam, tenham acesso a tratamentos eficazes.
A esperança é que a discussão continue avançando, com políticas públicas que priorizem a saúde e o bem-estar da população, levando em consideração não apenas o tratamento da obesidade, mas um verdadeiro compromisso com a saúde pública integral. Essa é uma caminhada que deve ser traçada em conjunto, por meio de um diálogo que envolva todos os setores da sociedade, promovendo um futuro mais saudável para todos os brasileiros.

Olá, meu nome é Gabriel, editor do site ConecteSUS.org, focado 100%. Olá, meu nome é Gabriel, editor do site ConecteSUS.org, focado 100%