Nos últimos anos, a saúde pública no Brasil tem enfrentado desafios significativos, e um dos problemas mais alarmantes é o apagão de dados no Sistema Único de Saúde (SUS). A situação é ainda mais crítica quando se considera que metade dos estados deixa de repassar dados sobre consultas e cirurgias ao governo. Essa ausência de informações não apenas prejudica a gestão dos serviços de saúde, mas também compromete a formulação de políticas públicas eficazes. Para entender a gravidade dessa situação, é necessário examinar como esses dados são coletados, as implicações da falta de uma base de dados robusta e a necessidade urgente de ações corretivas.
O panorama do sistema de saúde no Brasil
Atualmente, o SUS enfrenta um número alarmante de pacientes à espera de atendimento. Em janeiro de 2023, aproximadamente 5,7 milhões de pessoas estavam aguardando uma consulta, enquanto 600,4 mil necessitavam de cirurgias. Esses números, extraídos do Sistema Nacional de Regulação (Sisreg), revelam uma realidade preocupante. Oirs dados, no entanto, têm limitações, pois muitos estados não estão proporcionando informações completas e precisas. A falta de integração das secretarias estaduais e municipais de saúde com o sistema federal resulta em um quadro distorcido da realidade das filas de espera.
As secretarias estaduais e municipais não são obrigadas a utilizar o Sisreg, fazendo com que 13 das 27 unidades da federação não forneçam dados ou o façam de maneira parcial. Isso significa que informações críticas sobre a saúde da população estão sendo ignoradas, impedindo a criação de políticas públicas baseadas em evidências sólidas. Por exemplo, cidades como São Paulo e Belo Horizonte possuem sistemas próprios que não se comunicam com o federal, criando lacunas ainda maiores na coleta de dados.
A consequência da falta de dados
Como resultado da má gestão de informações, os brasileiros estão enfrentando tempos de espera que nunca foram tão longos para consultas médicas. Em média, os pacientes precisam esperar 57 dias para serem atendidos por um especialista em 2024, um aumento que supera até mesmo a média de espera durante a pandemia de Covid-19. Essa situação evidencia não só a ineficiência do sistema, mas também o sofrimento diário de milhões de brasileiros que dependem da saúde pública.
Além das complicações resultantes da falta de dados, existem preocupações relacionadas à qualidade do atendimento. A ausência de um sistema confiável impede que o Ministério da Saúde desenvolva políticas adequadas que abordem não apenas o tempo de espera, mas também a eficácia e a segurança dos tratamentos. Como destacou a especialista em Saúde Pública, Lígia Bahia, uma abordagem sem dados de qualidade não pode levar a decisões informadas ou melhorias no sistema de saúde.
A resposta do governo e a proposta de um novo sistema
Diante do cenário problemático apresentado, o Ministério da Saúde tem se esforçado para reverter essa situação. A criação do E-SUS Regulação é uma tentativa de proporcionar um sistema mais funcional e robusto que substitua o Sisreg, que já demonstra falhas significativas. A partir de 10 de março, uma nova portaria foi publicada, tornando obrigatório o envio periódico de informações sobre as filas de espera ao ministério. Isso é um passo importante, pois permitirá que todos os gestores locais se integrem ao Sistema Nacional de Dados em Saúde (RNDS).
Esse novo sistema é uma tentativa de centralizar informações e garantir que, independentemente do sistema utilizado (seja o E-SUS ou outras plataformas locais), as secretarias de saúde cumpram com sua obrigação de fornecer dados claros e completos. No entanto, essa implementação ainda enfrenta resistência, pois muitas secretarias afirmam que os sistemas atuais não atendem plenamente às suas necessidades operacionais.
A resistência dos estados e a necessidade de integração
Algumas secretarias estaduais, como a do Rio de Janeiro, apresentam a justificativa de que desenvolveram plataformas próprias que oferecem funcionalidades adicionais, como a inclusão de exames e registros clínicos. Essa resistência à mudança pode ser vista como um obstáculo à padronização e à eficiência no repasse de dados. Enquanto essas iniciativas locais podem atender a um determinado contexto, elas prejudicam a coletividade e a gestão integrada dos dados em saúde.
A secretaria municipal de São Paulo, por exemplo, argumenta que seu sistema é mais adequado ao volume de dados e ao monitoramento necessário na cidade. Com isso, a falta de repetição e consistência no repasse de informações ao ministério resulta em um apagão de dados que impacta diretamente a capacidade do governo federal de entender e reagir às demandas reais da população.
O papel dos especialistas e a urgência de uma solução
Profissionais de saúde e especialistas têm alertado para a necessidade urgente de um sistema de saúde baseado em evidências. Os dados não apenas informam sobre o tempo de espera, mas também sobre a qualidade do atendimento prestado. Sem eles, como pode o Ministério da Saúde formular políticas públicas adequadas? As consequências são graves, e episódios de atendimento inadequado, como cirurgias mal-sucedidas, são exemplos que vêm à tona em um contexto de gestão deficitária.
A investigação em andamento pela Polícia Federal sobre inserções fraudulentas no Sisreg apenas agrava a situação. Casos de manipulação de dados revelam que o problema não é apenas a falta de informações, mas também a presença de corrupção e desvio de recursos que deveriam estar destinados a quem realmente precisa.
Reflexão sobre a saúde pública
Neste momento crítico, a saúde pública requer uma reavaliação de suas prioridades e um compromisso genuíno com a transparência. A eliminação do apagão de dados é uma condição vital para que o Brasil possa oferecer um sistema de saúde mais equitativo e eficiente. A sociedade brasileira deve exigir das autoridades a implementação de soluções realmente eficazes e que levem em consideração as necessidades da população.
Na prática, isso significa um esforço conjunto entre o governo federal, estados e municípios, onde todos devem reconhecer a importância de um sistema integrado que permite a troca de informações fluida e precisa. Somente com dados adequados em mãos será possível não apenas enfrentar o atraso nas consultas e cirurgias, mas também garantir que a qualidade do atendimento seja garantida, prevenindo casos de negligência e erro médico.
Perguntas frequentes
Como os dados são coletados no SUS?
Os dados são coletados pelas secretarias estaduais e municipais de saúde, que devem alimentá-los no Sistema Nacional de Regulação (Sisreg). No entanto, essa prática não é obrigatória para todas as unidades federativas.
Por que alguns estados não repassam dados ao governo federal?
A falta de repasse de dados ocorre devido a limitações dos sistemas locais, resistência a mudanças e a ausência de integração entre as plataformas.
Qual a média de espera para atendimentos no SUS?
Atualmente, a média de espera para consultas com especialistas no SUS é de cerca de 57 dias.
O que o Ministério da Saúde está fazendo para contornar essa situação?
O ministério lançou o E-SUS Regulação, que visa padronizar e garantir que todas as secretarias enviem dados atualizados e completos regularmente.
O que é o apagão de dados na saúde pública?
O apagão de dados se refere à falta de informações precisas e completas sobre atendimentos e filas de espera em saúde pública, o que dificulta a formulação de políticas eficazes.
Quais são as consequências da falta de dados para a saúde da população?
A ausência de dados compromete a qualidade do atendimento, gera longas esperas por consultas e serviços, e impede que o governo tome decisões baseadas em evidências, impactando diretamente a saúde da população.
Conclusão
A situação da saúde pública no Brasil é alarmante, e a falta de dados resulta em um imenso apagão de informações que prejudica milhões de brasileiros. Metade dos estados deixa de repassar dados sobre consultas e cirurgias ao governo, comprometendo a capacidade de tomada de decisões informadas e a eficácia das políticas de saúde. É urgente que estados e municípios integrem suas plataformas e reconheçam a importância da transparência e da colaboração para garantir um sistema de saúde mais justo e acessível a todos. O futuro da saúde pública no país depende da capacidade de enfrentar esses desafios de forma unificada e responsável.

Olá, meu nome é Gabriel, editor do site ConecteSUS.org, focado 100%. Olá, meu nome é Gabriel, editor do site ConecteSUS.org, focado 100%