O vírus silencioso que causa dor intensa e afeta idosos

O Herpes-Zóster, também conhecido como “cobreiro”, é uma infecção viral que afeta muitas pessoas que tiveram catapora em algum momento da vida. O vírus responsável por essa condição, o varicela-zóster, pode permanecer dormente no organismo e se manifestar em momentos de baixa imunidade. Essa reativação é mais comum em idosos ou em pessoas com o sistema imunológico comprometido. Compreender o impacto e os riscos associados ao herpes-zóster é essencial para a prevenção e manejo eficaz da condição.

O vírus silencioso que causa dor intensa e afeta idosos – Correio Braziliense

O herpes-zóster manifesta-se quando o vírus varicela-zóster é reativado, levando a uma erupção cutânea dolorosa que geralmente aparece em uma faixa ou área do corpo. Essa infecção se caracteriza por bolhas que, ao estourarem, causam dor e desconforto. Embora a erupção cutânea e outros sintomas físicos durem algumas semanas, a dor pode persistir por meses ou até anos após a infecção, conhecida como neuralgia pós-herpética. Essa condição é particularmente preocupante para os idosos, que são mais suscetíveis às suas complicações.

Os sinais iniciais do herpes-zóster muitas vezes incluem uma sensação de formigamento, coceira ou dor em uma área específica antes do aparecimento das erupções. Esses sintomas podem ser leves, mas, à medida que a infecção progride, a dor se intensifica, podendo ser descrita como aguda ou em queimação. Para muitos idosos, essa dor pode ser incapacitante, afetando significativamente sua qualidade de vida. Uma vez que a erupção aparece, ela pode levar de 2 a 4 semanas para cicatrizar, dependendo da saúde geral do paciente e da rapidez com que o tratamento é iniciado.

Por que o herpes-zóster ocorre mais frequentemente em idosos?

Os motivos para a prevalência do herpes-zóster entre os idosos estão ligados ao envelhecimento natural do sistema imunológico. À medida que as pessoas envelhecem, sua capacidade de combater vírus e infecções diminui, tornando-os mais vulneráveis a reativações de vírus latentes. Além disso, fatores como estresse, doenças crônicas e o uso de medicamentos imunossupressores contribuem para a diminuição da imunidade.

A varicela, que é a infecção inicial que pode levar ao herpes-zóster, geralmente ocorre na infância. Após a recuperação, o vírus permanece dormente no corpo. Quando as defesas imunológicas estão em declínio, o vírus pode reativar-se, levando às lesões características do herpes-zóster. Nessa fase, é essencial que os pacientes recebam atenção médica adequada, que pode incluir o uso de antivirais para ajudar a controlar a infecção e minimizar a dor.

O impacto da neuralgia pós-herpética

A neuralgia pós-herpética é uma complicação séria do herpes-zóster, afetando muitos pacientes. Essa condição é caracterizada por dor crônica que persiste mesmo após a erupção cutânea ter desaparecido. A dor pode ser debilitante e, em alguns casos, pode ser tão intensa que interfere na vida diária, no sono e na capacidade de desfrutar de atividades sociais. Essa dor contínua é resultado de danos aos nervos causados pelo vírus.

Estudos mostram que a neuralgia pós-herpética é mais comum em idosos, especialmente aqueles com herpes-zóster que afetam áreas extensas do corpo ou que apresentam dor intensa no início da infecção. A pesquisa sugere que até 20% das pessoas que desenvolvem herpes-zóster experimentarão neuralgia pós-herpética, com uma duração que pode variar de meses a anos.

Qualidade de vida afetada

A dor crônica não é apenas uma questão física, mas também afeta a saúde mental dos indivíduos. Muitos idosos que enfrentam a neuralgia pós-herpética relatam sentimentos de ansiedade, depressão e isolamento social. O estigma associado ao herpes-zóster e a percepção de que a dor é uma consequência do envelhecimento podem levar os indivíduos a se afastarem da interação social e da atividade física, exacerbando ainda mais o seu sofrimento.

Adicionalmente, a dor persistente pode levar à necessidade de tratamentos contínuos e a dependência de medicamentos, que podem ter efeitos colaterais prejudiciais, especialmente em pessoas com outras comorbidades. Por isso, o manejo do herpes-zóster e suas complicações requer uma abordagem multidisciplinar, envolvendo médicos, psicólogos e fisioterapeutas.

Por que a vacinação é essencial?

Embora a vacina contra o herpes-zóster esteja disponível, sua incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil ainda é um tema debatido devido ao alto custo e à necessidade de um planejamento cuidadoso para sua distribuição. A vacina é uma forma eficaz de prevenção e tem se mostrado capaz de reduzir a incidência de herpes-zóster em até 90% entre os idosos. Além disso, a vacina também ajuda a prevenir a neuralgia pós-herpética, proporcionando alívio e aumentando a qualidade de vida.

A vacina recomendada é a vacina recombinante adjuvada, que tem se mostrado mais eficaz do que a vacina anterior, oferecendo proteção duradoura com uma resposta imunológica robusta. A proteção conferida pela vacina é especialmente benéfica para aqueles com maior risco de desenvolver herpes-zóster em virtude da idade ou de condições de saúde subjacentes.

Quais são os fatores limitantes para a vacinação?

Atualmente, a vacina está disponível apenas na rede privada de saúde, onde o custo é bastante elevado, podendo atingir até R$ 1.686 para o esquema de duas doses. Essa barreira financeira impede que muitos idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade adquiram a vacina, que poderia proteger contra uma infecção dolorosa e suas complicações. É importante que a sociedade civil se mobilize para promover a inclusão dessa vacina no SUS, especialmente considerando o impacto significativo que a infecção e suas complicações têm sobre a saúde pública.

Impacto da não vacinação

A ausência da vacina no SUS significa que muitos dos que mais necessitam de proteção, especialmente os grupos de risco, não conseguem acessar a imunização. Isso tem implicações diretas na saúde pública, pois a incidência de herpes-zóster pode aumentar, levando a mais casos de hospitalização e complicações associadas, que poderiam ser evitadas com a vacinação.

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A sociedade enfrenta um dilema em relação ao acesso à saúde: enquanto algumas vacinas são amplamente disponibilizadas e reconhecidas como essenciais, outras, como a do herpes-zóster, permanecem fora do alcance de muitos idosos, que poderiam se beneficiar enormemente. É fundamental encontrar um equilíbrio que permita uma expansão das opções de vacinação para a população mais vulnerável.

O futuro da vacinação contra o herpes-zóster

O debate sobre a inclusão da vacina contra herpes-zóster no SUS ainda está em andamento. Mudanças nas diretrizes de saúde pública, avanços científicos e melhorias na economia do país podem tornar viável a incorporação da vacina ao sistema público no futuro. A prevenção sempre é a melhor alternativa, e a conscientização sobre a necessidade de vacinação é um passo fundamental para garantir que mais idosos possam usufruir de uma vida sem dor e com maior qualidade de vida.

Finalmente, a luta contra o herpes-zóster e suas consequências deve ser uma prioridade, não apenas para médicos e especialistas em saúde pública, mas para toda a comunidade. A proteção e o bem-estar dos idosos são uma responsabilidade compartilhada, e continuar a luta pela disponibilização de vacinas é um caminho vital na preservação da saúde da população.

Perguntas Frequentes

Por que o herpes-zóster é mais comum em pessoas idosas?

O herpes-zóster é mais comum em pessoas idosas devido à diminuição natural das defesas imunológicas com a idade, tornando-as mais suscetíveis à reativação do vírus latente.

Quais são os principais sintomas do herpes-zóster?

Os sintomas principais incluem dor intensa, erupções cutâneas em forma de bolhas, sensações de formigamento e coceira na área afetada.

Como o herpes-zóster é tratado?

O tratamento envolve o uso de antivirais e analgésicos para aliviar a dor e acelerar a cicatrização das lesões.

A neuralgia pós-herpética sempre ocorre após o herpes-zóster?

Não, mas é uma complicação que pode ocorrer em aproximadamente 20% das pessoas que desenvolvem herpes-zóster, especialmente em idosos e aqueles com dor intensa durante a infecção.

É possível prevenir o herpes-zóster?

Sim, a vacinação é a maneira mais eficaz de prevenir o herpes-zóster e suas complicações, embora atualmente não esteja disponível no SUS.

Quando devo consultar um médico em caso de herpes-zóster?

É recomendável procurar atendimento médico imediatamente após a manifestação dos primeiros sintomas, como dor intensa ou erupções cutâneas, para um diagnóstico e tratamento adequados.

Conclusão

O herpes-zóster é uma condição que pode causar grande impacto na vida de idosos e indivíduos com o sistema imunológico comprometido. A compreensão de sua natureza, prevenção e tratamento é fundamental para melhorar a qualidade de vida dos afetados. A inclusão da vacina contra herpes-zóster nos programas de saúde pública deve ser uma prioridade, assegurando que todos tenham acesso à proteção necessária para evitar não apenas a infecção mas também suas complicações debilitantes. Com avanço nas políticas de saúde e conscientização sobre a importância da vacinação, é possível sonhar com um futuro onde menos pessoas sofram com as consequências desse vírus silencioso.