Práticas integrativas no SUS atendem quase 4 milhões de pessoas

A saúde é um tema central nas discussões da sociedade contemporânea, especialmente quando se trata de acessar tratamentos que sejam ao mesmo tempo eficazes e acessíveis. Nesse contexto, as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) estão ganhando destaque crescente no Sistema Único de Saúde (SUS). Dados recentes indicam que até agosto de 2025, quase quatro milhões de pessoas se beneficiaram desses procedimentos, o que representa um crescimento notável em relação aos anos anteriores.

As PICS têm se mostrado uma alternativa valiosa para uma variedade de condições de saúde, abrangendo tanto aspectos físicos quanto emocionais. Técnicas como auriculoterapia, que utiliza a orelha como área de intervenção, têm se destacado não apenas por seus benefícios therapeutics, mas também por sua crescente popularidade entre a população. A utilização de métodos como agulhas e sementes para promover o bem-estar é um exemplo de como práticas tradicionais podem se integrar aos cuidados modernos.

Práticas Integrativas no SUS atendem quase 4 milhões de pessoas

Entre janeiro e agosto de 2025, o SUS contabilizou 3.757.950 intervenções nas PICS na atenção primária. Esse número representa um expressivo aumento de 14,2% comparado ao mesmo período de 2024. As práticas que mais contribuíram para esse crescimento foram a auriculoterapia, que sozinha foi responsável por 26% do aumento, seguida de outras terapias que também mostraram crescimento, como a meditação e o uso de plantas medicinais.

Esse aumento no número de atendimentos é uma demonstração clara de que as PICS estão se consolidando como uma opção viável e popular para muitas pessoas em busca de alternativas aos tratamentos convencionais. O SUS está, portanto, se adaptando às necessidades e preferências da população, o que é um sinal positivo para a saúde pública no Brasil.

Os benefícios das PICS vão além do tratamento de condições específicas de saúde. Elas têm se mostrado eficazes em promover um sentido mais amplo de bem-estar, como a redução de estresse e ansiedade, provendo uma abordagem holística que muitas vezes é mais bem recebida por pacientes que buscam alternativas menos invasivas. A aceitação dessas práticas por mais de quatro milhões de cidadãos brasileiros reflete uma mudança na percepção sobre saúde e tratamento, promovendo uma cultura mais integrativa.

Profissionais capacitados

Para que essa expansão das PICS seja possível, a formação e capacitação de profissionais de saúde é fundamental. O Ministério da Saúde informou que, até o momento, aproximadamente 340 mil profissionais participaram de cursos e capacitações voltadas para as PICS, incluindo certificações específicas em auriculoterapia. Isso é essencial para garantir que os tratamentos sejam aplicados de forma adequada e eficaz.

Além da capacitação oferecida pelo SUS, estados e municípios também estão investindo na qualificação de profissionais em suas respectivas áreas. Um exemplo notável é o Município de São Paulo, que já registrou 16,4% de todos os atendimentos realizados em práticas integrativas apenas no primeiro semestre de 2025. Essa abordagem colaborativa entre diferentes esferas de governo fortalece a capacidade do sistema de saúde em atender a demanda crescente.

A experiência acumulada nas instituições de ensino e em centros de saúde mostra que a capacitação em PICS não apenas beneficia os profissionais, como também melhora a qualidade dos serviços prestados aos cidadãos. As práticas integrativas, sendo menos invasivas e frequentemente mais acessíveis, atraem um número maior de pessoas a buscar atendimento.

Números

Operando com números impressionantes, o SUS registrou, em 2024, um total de 7.156.703 procedimentos relacionados às PICS, totalizando um aumento de 70% desde 2022. Esse crescimento inclui tanto a atenção primária – com 3.198.546 atendimentos – quanto os serviços de média e alta complexidade, que registraram 3.958.157 procedimentos. Com a ampliação do acesso, foram mais de nove milhões de atendimentos a pessoas que foram atendidas através das práticas integrativas, um crescimento de 83% comparado a 2022.

A análise desses dados fornece uma visão clara de que a saúde pública no Brasil está se modernizando e se adaptando às necessidades da população. Não se trata apenas de números; é uma mudança de paradigma na forma como as pessoas pensam sobre o tratamento e cuidado com a saúde.

Essas informações indicadores são fundamentais, pois ajudam a compreender como as PICS estão se consolidando e qual o impacto real que têm sobre a vida das pessoas. Os dados históricos mostram que as práticas complementares têm conseguido ganhar espaço em um sistema que, por muito tempo, se concentrou majoritariamente em tratamentos alopáticos.

Próximos passos

Com um cenário tão positivo, o Ministério da Saúde ainda olha para o futuro com estratégias claras. A contínua melhoria na formação e capacitação de equipes da atenção primária é uma prioridade, assim como a otimização da implementação das PICS em áreas ainda não exploradas, como dor crônica e saúde mental. A qualificação de gestores e trabalhadores no campo das PICS é vista como essencial para garantir que essas práticas sejam não apenas mais acessíveis, mas também cada vez mais integradas às linhas de cuidado no sistema de saúde.

Um estudo recente da Universidade Federal de Santa Catarina corroborou o valor das PICS, indicando que elas são amplamente aceitas pela população e frequentemente proporcionam melhorias significativas em condições como dores crônicas, insônia, ansiedade e bem-estar geral. Adicionalmente, muitos usuários relataram que, ao adotar essas práticas, houve uma notável redução no uso de medicamentos, o que é um indicativo de que as PICS podem contribuir positivamente para a saúde pública e a redução de custos.

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Congresso será no Rio

Um marco a ser destacado é o 3º Congresso Mundial de Medicina Tradicional, Complementar e Integrativa, que acontecerá entre 15 e 18 de outubro no Riocentro, no Rio de Janeiro. Esse evento servirá como um espaço para apresentar os dados mais recentes sobre o uso e impacto das PICS e também para discutir a Estratégia Global de Medicina Tradicional, Complementar e Integrativa 2025–2034 proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O congresso reunirá lideranças, acadêmicos e profissionais de saúde de 67 países, evidenciando a importância das práticas integrativas na agenda global.

Durante o evento, também serão apresentados novos materiais desenvolvidos pelo Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa, que incluem mapas de evidências sobre a eficácia clínica das intervenções baseadas na natureza e em pediatria integrativa. Essas ferramentas são projetadas para apoiar a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares e proporcionar uma base científica sólida para futura formação e desenvolvimento das PICS.

Inéditos

Outro marco importante a ser antecipado no congresso é o pré-lançamento da Biblioteca Global de Medicina Tradicional da OMS. Com mais de 1,7 milhão de publicações indexadas na área até o momento, essa biblioteca tem como objetivo fornecer acesso livre e aberto a informações relevantes para todos os profissionais e entusiastas da saúde integrativa.

Assim, à medida que as práticas integrativas no SUS atendem quase quatro milhões de pessoas, a esperança é que esta tendência continue a crescer e que cada vez mais cidadãos possam ter acesso a tratamentos que, além de serem eficazes, promovam bem-estar e qualidade de vida.

Perguntas frequentes

Quais são as principais práticas integrativas disponíveis no SUS?
As principais práticas incluem auriculoterapia, meditação, uso de plantas medicinais e fitoterapia, além de práticas corporais da medicina tradicional chinesa.

Como as PICS podem ajudar na saúde mental?
As práticas integrativas têm mostrado eficácia no manejo de condições como ansiedade e depressão, promovendo um estado de relaxamento e bem-estar.

É necessário ter algum tipo de indicação médica para realizar as PICS?
Geralmente, as PICS podem ser acessadas por qualquer pessoa, mas é aconselhável que haja uma avaliação por um profissional de saúde para garantir a melhor abordagem.

As PICS são acessíveis em todo o Brasil?
Sim, as PICS estão disponíveis em 84% dos municípios brasileiros, com serviços consolidados em mais de 21 mil estabelecimentos de saúde.

Qual é a formação necessária para profissionais que desejam trabalhar com PICS?
Os profissionais devem passar por cursos de capacitação oferecidos pelo SUS, incluindo especializações em áreas específicas como auriculoterapia e outras práticas integrativas.

As práticas integrativas substituem os tratamentos convencionais?
Não, as PICS são complementares aos tratamentos convencionais. Elas visam promover a saúde e bem-estar, mas não substituem o tratamento médico quando este é necessário.

Conclusão

As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde estão se afirmando como uma parte essencial do sistema de saúde brasileiro. Com um crescimento significativo no número de atendimentos e uma ampla aceitação por parte da população, as PICS representam uma oportunidade para repensar as abordagens tradicionais em saúde. O investimento na formação de profissionais, a ampliação do acesso e a integração dessas práticas nas políticas de saúde são passos fundamentais para garantir um sistema de saúde mais holístico e acessível.

Esse movimento não apenas melhora a saúde individual, mas também contribui para uma sociedade mais saudável e consciente de suas escolhas. A esperança é que, com o tempo, mais pessoas possam descobrir e se beneficiar dos métodos oferecidos pelas PICS, promovendo qualidade de vida e bem-estar pleno.