Zolgensma no SUS representa uma importante inovação no tratamento da AME tipo 1

O avanço no tratamento da AME tipo 1 e a incorporação do Zolgensma ao SUS

A Atrofia Muscular Espinhal (AME) é uma doença genética que afeta as células nervosas da medula espinhal, resultando em fraqueza muscular e dificuldades de movimento. Entre os tipos de AME, a forma tipo 1 é a mais grave e frequentemente leva a complicações severas e à morte na infância, caso não seja tratada. Nesse contexto, a introdução do Zolgensma (Onasemnogene abeparvoveque) no Sistema Único de Saúde (SUS) representa um marco na luta contra essa doença. Desde que o Ministério da Saúde anunciou a incorporação dessa terapia gênica em março, um novo horizonte se abre para as famílias afetadas, oferecendo esperança onde antes havia incerteza e desespero.

A entrada do Zolgensma no SUS foi recebida com euforia pela comunidade médica e os familiares de crianças diagnosticadas com AME. Com um custo acessível ao sistema público, essa terapia fornece aos pacientes a oportunidade de interromper a progressão da doença, potencialmente permitindo que muitas crianças vivam uma vida plena, sem as limitações impostas pela AME. Mas um aspecto crucial deve acompanhar essa conquista: a incorporação da AME no Teste do Pezinho, expansão que possibilitaria diagnósticos precoces e, consequentemente, um tratamento mais eficaz.

Zolgensma no SUS representa uma parte do avanço no tratamento da AME tipo 1

A terapia Zolgensma é um tratamento inovador que visa substituir a função do gene SMN1, que, quando mutado, é responsável pela AME tipo 1. A terapêutica envolve a administração de uma única dose, utilizando um vetor viral que entrega uma cópia funcional do gene SMN1 diretamente às células motoras afetadas, permitindo a produção de uma proteína fundamental para a sobrevivência e saúde dos neurônios motores. Ao se incorporar ao SUS, essa terapia, que é uma das mais caras do mundo, passa a ser acessível a milhões de brasileiros que, até então, eram forçados a recorrer a campanhas de arrecadação ou mesmo à judicialização para ter acesso ao tratamento.

Esse avanço no tratamento é ainda mais relevante quando analisamos o impacto que a AME pode ter na vida das crianças e de suas famílias. A neurologista infantil Michele Becker observa que, antes da incorporação do Zolgensma, as famílias enfrentavam um verdadeiro Calvário para conseguir o medicamento. Com a nova possibilidade de acesso, o tratamento pode ser iniciado de maneira oportuna, elevando as chances de desenvolvimento motor saudável e melhorando a qualidade de vida dos pacientes.

A necessidade de rastreamento neonatal

Além da terapia, a questão do rastreamento precoce é uma das principais bandeiras levantadas por especialistas e familiares. A implementação do teste de triagem neonatal para AME pelo sistema de saúde é um passo crítico. Ao diagnosticar a condição nos primeiros dias de vida, é possível iniciar o tratamento em uma fase ainda pré-sintomática, resultando em quão significativos avanços no desenvolvimento motor e funcional da criança.

Luana Teles, mãe da pequena Lívia, que lutou pelo acesso ao Zolgensma, defende que restringir o tratamento a crianças com menos de seis meses pode deixar muitos pequenos sem a chance de serem tratados eficientemente. “A gente sabe que a doença não espera”, alerta Luana, enfatizando a urgência em aprimorar os métodos de diagnóstico. O geneticista Leonardo Medeiros reforça que a eficácia do tratamento é maior quando aplicado o quanto antes, idealmente antes do início dos sintomas.

A cruzada pela inclusão da AME no Teste do Pezinho ganhou força após a aprovação de uma lei em 2021, que amplia a triagem neonatal para 50 doenças, com a AME figurando entre elas. No entanto, o desafio é que essa lei ainda não foi efetivamente implementada. O Brasil agora se encontra em um momento crucial, onde a mobilização social pode acelerar essa mudança vital.

O papel do SUS na oferta de Zolgensma

O Sistema Único de Saúde, ao oferecer o Zolgensma, não é apenas uma inclusão de uma nova terapia; é uma declaração de que o sistema de saúde brasileiro está se modernizando e buscando atender às necessidades mais urgentes da população. Com um acordo de compartilhamento de risco baseado em desempenho entre o ministério e a farmacêutica Novartis, o SUS agora pode disponibilizar essa terapia revolucionária sem comprometer a sustentabilidade financeira do sistema.

Essa abordagem inovadora garante que o pagamento pela terapia será feito com base nos resultados obtidos. Isso significa que o Ministério da Saúde não apenas investe em um medicamento transformador, mas fica comprometido em acompanhar o progresso dos pacientes e garantir que a terapia esteja realmente produzindo os efectos desejados.

Sinais de AME tipo 1 e a importância da detecção precoce

A identificação precoce dos sinais da AME tipo 1 é crucial. Geralmente, os primeiros indícios aparecem nos primeiros meses de vida, e incluem a diminuição do tônus muscular e dificuldades respiratórias. O pediatra João Krauzer destaca a importância da observação atenta dos pais e dos profissionais de saúde, pois um diagnóstico mais rápido pode resultar em um tratamento mais eficaz.

Para garantir que os bebês sejam diagnosticados a tempo, as avaliações periódicas do desenvolvimento devem incluir uma análise cuidadosa do tônus muscular e da mobilidade. Quando há suspeita de AME, a criança deve ser imediatamente encaminhada a um neuropediatra e a um geneticista, para que os testes confirmatórios possam ser realizados.

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Como o Zolgensma funciona?

O Zolgensma atua especificamente na correção da mutação genética que causa a AME tipo 1. Com a administração de uma única dose, o vetor viral carrega o gene SMN1 para as células alvo, promovendo a produção da proteína necessária para preservar a função motora das neurônios motores. Estudos indicam que a terapia continua a apresentar resultados positivos por até cinco anos, e há indícios de que sua eficácia pode se estender ainda mais.

É importante, no entanto, notar que, enquanto o tratamento está gerando resultados encorajadores, estudos adicionais são necessários para monitorar os efeitos ao longo do tempo. Além disso, é necessário que os pais estejam cientes dos potenciais efeitos colaterais, especialmente relacionados à função hepática, que podem ocorrer após a administração da terapia.

História de vida transformada pela terapia

A emocionante história de Lívia Teles é um testemunho do impacto que o Zolgensma pode ter nas vidas das crianças afetadas pela AME. Após receber a dose do medicamento em Boston em 2020, Lívia, agora com quase sete anos, está sem necessidade de internações frequentes e conseguiu desenvolver habilidades motoras que antes eram impossíveis devido à progressão da doença.

Luana, sua mãe, relata que a qualidade de vida da filha mudou drasticamente após o tratamento, evidenciando que a terapia não apenas interrompeu a progressão da doença, mas também abriu portas para um futuro mais promissor. “Ela tem tido avanços. A maior vitória é a qualidade de vida que temos agora”, menciona Luana, ao fazer referência aos desafios enfrentados antes do tratamento.

Perguntas frequentes

Qual é a idade limite para receber o tratamento Zolgensma?
O tratamento com Zolgensma é recomendado para crianças de até seis meses que não estejam em ventilação mecânica invasiva por mais de 16 horas por dia.

O que é a Atrofia Muscular Espinhal (AME)?
AME é uma doença genética que afeta a medula espinhal e resulta em fraqueza muscular, comprometendo a mobilidade e a função respiratória.

Quais são os possíveis efeitos colaterais do Zolgensma?
Os efeitos colaterais mais comuns relacionados ao Zolgensma incluem problemas na função hepática, que exigem monitoramento vigilante.

Como o SUS está distribuindo o Zolgensma?
O Zolgensma é disponibilizado através de 28 serviços de referência em 18 estados do Brasil, onde os pacientes podem passar por avaliações preparatórias e receber o tratamento.

Por que a triagem neonatal é importante?
A triagem neonatal é crucial para o diagnóstico precoce da AME, permitindo o início do tratamento em uma fase em que a doença ainda não apresentou sintomas, o que melhora significativamente as chances de um desenvolvimento motor saudável.

O que é a terapia gênica?
Terapia gênica é um tipo de tratamento que envolve a introdução de material genético nas células do paciente para combater ou prevenir a doença, como é o caso do Zolgensma, que introduz uma cópia funcional do gene SMN1.

Conclusão

O avanço no tratamento da AME tipo 1 com a incorporação do Zolgensma ao SUS é um marco significativo que representa não só a luta por acesso à saúde, mas também demonstra a importância da inovação científica no combate a doenças raras. As vidas das crianças e de suas famílias podem ser transformadas através do diagnóstico precoce e do tratamento oportuno.

A alcunha de “milagre” pode ser um tanto exagerada, mas para muitos, essa terapia representa uma chance real de um futuro saudável e ativo. Enquanto o Brasil se prepara para integrar a AME no Teste do Pezinho, a luta deve continuar, garantindo que todos tenham acesso a essas importantíssimas inovações no tratamento. O caminho é longo, mas a esperança é o que move essa jornada.