Folha de quebra-pedra será o 1º remédio fitoterápico do SUS

O Brasil, um país extramente rico em biodiversidade, está prestes a entrar em um novo capítulo na saúde pública. A combinação de saberes tradicionais e ciência moderna pode proporcionar avanços significativos, especialmente quando se fala na utilização de plantas medicinais. Uma das grandes promessas nesse contexto é a folha de quebra-pedra, que deverá se tornar o primeiro remédio fitoterápico ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Esta planta, conhecida cientificamente como Phyllanthus niruri, vem sendo utilizada por gerações nas comunidades indígenas e por agricultores familiares para o tratamento de distúrbios do trato urinário, especialmente na prevenção e tratamento de pedras nos rins. Este artigo trará uma análise aprofundada sobre esse importante desenvolvimento, abordando desde o reconhecimento do conhecimento tradicional até os processos regulatórios que permitirão sua inclusão no SUS.

Folha de quebra-pedra será o 1º remédio fitoterápico do SUS

O fitoterápico a ser desenvolvido a partir da folha de quebra-pedra já está em fase final de elaboração, com previsão de que em breve possa fazer parte dos medicamentos disponíveis no SUS. O que torna essa iniciativa ainda mais relevante é a maneira como ela surgiu: o respeito e a valorização do conhecimento tradicional indígena e de comunidades tradicionais que, por décadas, reconheceram o potencial terapêutico dessa planta. O Brasil é um país com uma cultura rica em saberes populares, e a inclusão desse tipo de prática no sistema de saúde representa um avanço significativo na valorização da sabedoria ancestral.

As propriedades terapêuticas da quebra-pedra vêm sendo estudadas por especialistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que tem liderado os trabalhos em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O desenvolvimento do fitoterápico não apenas busca atender a demandas de saúde, mas também visa respeitar as legislações sobre o acesso ao patrimônio genético e garantir a repartição justa de benefícios às comunidades que conservam esse saber. Isso é essencial ao pensarmos em uma política pública de saúde mais inclusiva e respeitosa.

Cooperação entre instituições viabiliza produção do medicamento

A colaboração entre diferentes instituições é um pilar fundamental para viabilizar a produção desse medicamento. O Acordo de Cooperação Técnica entre a Fiocruz e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) estabelece diretrizes efetivas para o avanço de pesquisas e o desenvolvimento de novos fitoterápicos a partir da biodiversidade brasileira. Esse tipo de cooperação exemplifica uma mudança de paradigma, onde o conhecimento tradicional é tratado como uma tecnologia em si, integrando ciência, território e políticas públicas de saúde.

Com um investimento de R$ 2,4 milhões, o projeto busca garantir que cada etapa do desenvolvimento do fitoterápico atenda às exigências regulatórias da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Recursos são destinados à adequação de maquinário, aquisição de equipamentos e realização de estudos laboratoriais, assegurando que o produto final seja seguro e de qualidade.

Investimento impulsiona cadeia produtiva da biodiversidade

O investimento em boas práticas e no desenvolvimento do fitoterápico também tem um impacto direto na cadeia produtiva da biodiversidade. Ao ampliar o acesso da população a medicamentos seguros e eficazes, essa iniciativa promove, paralelo a isso, a indústria farmacêutica nacional. Essa dinâmica é crucial para fortalecer economias locais e garantir que os benefícios da biodiversidade sejam aproveitados de forma sustentável.

Além disso, o fortalecimento da indústria farmacêutica brasileira pode contribuir para a diminuição da dependência de medicamentos importados, tornando o país mais autossuficiente em áreas vitais da saúde pública. O papel da Fiocruz nesse contexto é primordial, pois a instituição tem uma longa história de desenvolvimento de medicamentos que atendem às necessidades da população.

Do laboratório à Anvisa: etapas até chegar ao SUS

É importante compreender as etapas em que o medicamento a partir da folha de quebra-pedra passará até chegar ao SUS. Os estudos realizados por pesquisadores da Fiocruz com foco no fitoterápico incluem a realização de testes rigorosos que comprovem a eficácia e segurança do produto. Serão conduzidos estudos de estabilidade, padronização e controle de qualidade, processos fundamentais para garantir que o medicamento ofereça um tratamento seguro.

Atualmente, não existe no mercado um produto que aborde de forma tão abrangente as diferentes fases da litíase urinária, condição que provoca a formação de cálculos no trato urinário. A quebra-pedra se destaca exatamente por sua capacidade de tratar esse problema de diversas maneiras, ajudando assim a população que sofre com essa condição. A esperança é de que, após a avaliação da Anvisa, o fornecimento ao SUS ocorra em até dois anos.

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Saberes tradicionais no centro da inovação

A inclusão da folha de quebra-pedra como o primeiro remédio fitoterápico do SUS não é somente uma questão de saúde pública; é um reconhecimento do papel das comunidades tradicionais como guardiãs do patrimônio genético nacional. Esse projeto é um reflexo da necessidade urgente de integrar conhecimentos tradicionais ao desenvolvimento científico, proporcionando um espaço para que práticas ancestrais ganhem visibilidade e respeito no contexto da saúde.

A iniciativa traz à tona uma discussão crucial sobre como repensar políticas públicas, favorecendo não apenas o acesso a medicamentos, mas também a valorização de práticas locais e regionalmente relevantes. É uma oportunidade de gerar novos medicamentos, fortalecer economias locais e, mais importante, ampliar o acesso da população a tratamentos seguros e reconhecidos.

Perguntas frequentes

Como a folha de quebra-pedra atua na saúde?
A quebra-pedra possui propriedades que ajudam a dissolver cálculos renais e têm ação diurética, contribuindo efetivamente para tratar problemas do trato urinário.

Por que é importante o reconhecimento de saberes tradicionais?
Reconhecer saberes tradicionais é fundamental para valorizar comunidades que mantêm práticas ancestrais e conhecimentos sobre a biodiversidade, garantindo justiça social e integração entre ciência e cultura.

Qual o impacto da inclusão desse fitoterápico no SUS?
A inclusão da quebra-pedra no SUS ampliará as opções de tratamento disponíveis, oferecendo à população um remédio seguro e eficaz, além de reforçar a indústria farmacêutica nacional.

Qual é a expectativa de tempo até que o remédio esteja disponível?
A expectativa é que o medicamento esteja disponível no SUS em até dois anos, após a finalização dos estudos e a aprovação pela Anvisa.

Como o projeto irá beneficiar comunidades tradicionais?
O projeto assegura que as comunidades que detêm o conhecimento sobre a planta serão beneficiadas de maneira justa, promovendo a repartição dos ganhos econômicos e valorizando suas contribuições.

Quais são os próximos passos após a aprovação do medicamento?
Após a aprovação, o medicamento passará por um processo de produção em larga escala e, em seguida, será integrado à lista de medicamentos disponíveis no SUS.

Conclusão

A trajetória da folha de quebra-pedra até se tornar o primeiro remédio fitoterápico do SUS representa um avanço sem precedentes na saúde pública brasileira. Este projeto não apenas proporciona acesso a uma alternativa terapêutica eficaz, mas também é um símbolo do respeito e valorização dos saberes tradicionais. O futuro da saúde no Brasil parece mais promissor quando se considera a integração de ciência e práticas ancestrais, indicando um caminho para políticas de saúde mais justas e sustentáveis. Assim, a expectativa é que os próximos anos sejam marcados por um aumento no uso responsável da biodiversidade, restaurando o equilíbrio entre desenvolvimento científico e respeito às tradições culturais.